Bastidores sombrios da UTI: técnico revela o que estaria por trás das mortes

A Polícia Civil do Distrito Federal conduz uma investigação que vem chamando a atenção da opinião pública após a confirmação de ao menos três mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga. O caso ganhou repercussão não apenas pelo número de óbitos, mas principalmente pela forma como as suspeitas surgiram: a partir de um alerta interno da própria instituição de saúde, que identificou um padrão incomum nos registros e decidiu agir antes mesmo de qualquer denúncia externa.
De acordo com as autoridades, a apuração teve início quando a direção do hospital passou a revisar prontuários e procedimentos adotados na UTI. Durante essa análise, inconsistências levantaram dúvidas e levaram à criação de um comitê interno de avaliação. O grupo concluiu que os casos mereciam atenção especial e, diante dos indícios, funcionários foram desligados preventivamente. Em seguida, o hospital encaminhou documentos, registros e materiais considerados relevantes à polícia, colaborando diretamente para a abertura do inquérito.
Segundo o delegado responsável pelo caso, a postura da instituição foi decisiva para o avanço rápido das investigações. Com base nas informações recebidas, a polícia conseguiu reunir dados técnicos, imagens de câmeras internas e laudos preliminares. Em menos de um mês, os investigadores chegaram a elementos suficientes para solicitar medidas judiciais, culminando no cumprimento de mandados de prisão temporária no dia 12 de janeiro. O foco inicial do inquérito está em três óbitos já identificados, mas novas frentes de apuração não estão descartadas.
As investigações apontam como principal suspeito um técnico de enfermagem de 24 anos, que atuava na UTI. Conforme a apuração, ele teria utilizado acessos indevidos a sistemas internos para registrar prescrições que não correspondiam às orientações médicas. Com esses registros, conseguia retirar medicamentos na farmácia da unidade e preparar aplicações sem supervisão direta. Os investigadores analisam imagens que mostram movimentações consideradas fora do padrão em horários específicos, sempre quando os pacientes estavam sozinhos nos quartos.
Além do principal investigado, duas técnicas de enfermagem também tiveram prisões decretadas. De acordo com a polícia, elas teriam participado oferecendo apoio logístico e auxiliando na execução das ações suspeitas. Registros analisados indicam que as profissionais acompanhavam o deslocamento do colega, observavam o ambiente e monitoravam a situação enquanto os procedimentos ocorriam. Com base nessas evidências, a PCDF entende que há indícios suficientes para responsabilização conjunta, o que amplia a complexidade do caso.
Em depoimento, o técnico inicialmente negou qualquer irregularidade, mas mudou sua versão após ser confrontado com imagens e documentos reunidos pelos investigadores. Ao tentar explicar suas atitudes, apresentou justificativas consideradas contraditórias pelas autoridades, mencionando cansaço extremo e uma suposta intenção de aliviar situações críticas. A polícia, no entanto, avalia que essas explicações não se sustentam diante dos dados clínicos analisados e reforça que, até o momento, não há sinais de motivação financeira.
Enquanto a investigação avança, a PCDF aguarda a conclusão de perícias em aparelhos eletrônicos e computadores utilizados pelos suspeitos. A expectativa é que esses exames ajudem a esclarecer se outros casos semelhantes podem ter ocorrido no mesmo período. Paralelamente, familiares das vítimas acompanham o desenrolar do inquérito com apreensão, na esperança de respostas claras. As autoridades reforçam que o trabalho segue critérios técnicos e que novas informações serão divulgadas à medida que o processo avançar, sempre respeitando os limites legais e a responsabilidade na comunicação do caso.



