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Atitude inesperada levanta novas dúvidas em caso envolvendo UTI

A Polícia Civil do Distrito Federal investiga uma sequência de mortes ocorridas na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Anchieta, em Taguatinga, que levantou suspeitas graves sobre a atuação de profissionais da área da saúde. Entre novembro e dezembro de 2025, três pacientes morreram em circunstâncias consideradas atípicas, o que levou à abertura de um inquérito e, posteriormente, à prisão temporária de três técnicos de enfermagem. O caso passou a ser tratado como prioridade pelas autoridades e é conduzido no âmbito da Operação Anúbis, coordenada pela área de homicídios da corporação.

O ponto de partida da investigação foi a semelhança entre os óbitos. Apesar de apresentarem quadros clínicos distintos, os pacientes tiveram uma evolução inesperada, marcada por uma piora abrupta e incompatível com o histórico médico registrado até então. Segundo os investigadores, não houve sinais de agravamento progressivo. Em todos os casos, o colapso do estado de saúde foi rápido, o que despertou a atenção das equipes médicas e do comitê interno do hospital responsável por analisar eventos adversos.

À medida que a apuração avançava, surgiram indícios de que um dos técnicos teria se aproveitado de fragilidades nos sistemas internos da unidade. De acordo com a Polícia Civil, o profissional acessava um sistema de prescrição que permanecia aberto em nome de médicos, passando a emitir ordens como se fosse um deles. Com isso, conseguia retirar medicamentos da farmácia hospitalar sem levantar suspeitas imediatas, criando um cenário que só seria percebido após a repetição dos episódios.

As autoridades apontam que a substância aplicada nos pacientes tinha potencial para causar parada cardíaca em poucos minutos e apresentava dificuldade de detecção em exames iniciais, o que ajudaria a explicar por que as mortes não foram imediatamente tratadas como criminais. O delegado responsável pelo caso afirmou que o suspeito observava a reação dos pacientes após a aplicação e só iniciava tentativas de reanimação quando havia outras pessoas por perto, comportamento que, segundo a investigação, pode indicar uma tentativa de simular um atendimento de emergência legítimo.

Em um dos episódios, o caso se tornou ainda mais grave. Segundo a Polícia Civil, após o término do medicamento utilizado inicialmente, o técnico teria recorrido a um produto de limpeza hospitalar, que foi aspirado com uma seringa e aplicado repetidas vezes em uma das vítimas. Esse detalhe, revelado durante coletiva de imprensa, reforçou a convicção dos investigadores de que não se tratava de erro técnico ou imprudência, mas de uma conduta deliberada, cuja motivação ainda está sendo analisada.

Os três técnicos presos negaram envolvimento no início das investigações. No entanto, dois deles acabaram confessando participação após serem confrontados com imagens do circuito interno de segurança do hospital. Os registros mostrariam movimentações e condutas incompatíveis com os protocolos de atendimento da UTI. A partir disso, a polícia avançou para uma segunda fase da operação, com novas prisões e apreensão de celulares, computadores e documentos, agora sob análise pericial.

As vítimas são uma professora aposentada de 75 anos, um servidor público de 63 anos e um homem de 33 anos. Os nomes não foram divulgados. A diretora do Instituto de Medicina Legal do DF explicou que os laudos iniciais reforçam um ponto central da investigação: a ausência de sinais clínicos que justificassem uma deterioração tão rápida. Esse padrão é considerado um dos elementos-chave para sustentar a suspeita de que as mortes não ocorreram por causas naturais.

Em nota oficial, o Hospital Anchieta informou que demitiu imediatamente os três profissionais após a identificação das irregularidades e que acionou as autoridades assim que um comitê interno identificou circunstâncias fora do padrão nos óbitos. A instituição afirma colaborar integralmente com a investigação e diz ter prestado apoio às famílias das vítimas. Enquanto a polícia tenta entender se houve outros casos semelhantes, inclusive em locais onde os suspeitos já trabalharam, uma pergunta segue sem resposta e se torna central no inquérito: o que levou profissionais treinados para salvar vidas a agirem dentro de uma UTI como se o hospital fosse o cenário de um crime silencioso?

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