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Técnicos de Enfermagem Presos por Mortes Suspeitas na UTI do Hospital Anchieta

Em um caso que chocou a comunidade médica e a sociedade brasileira, três técnicos de enfermagem foram presos pela Polícia Civil do Distrito Federal sob a acusação de cometerem homicídios em série contra pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva de um hospital particular em Taguatinga. As mortes, ocorridas entre novembro e dezembro de 2025, foram inicialmente tratadas como naturais, mas investigações revelaram indícios de intervenções deliberadas que aceleraram os óbitos. A operação policial, batizada de Anúbis, destacou a gravidade dos atos, que envolviam manipulações no sistema de saúde para encobrir as ações criminosas.

Os suspeitos, compostos por dois homens e uma mulher, todos ex-funcionários do Hospital Anchieta, foram detidos em etapas distintas ao longo de janeiro de 2026. O mais jovem deles, com 24 anos, é apontado como o principal executor, tendo acessado indevidamente o sistema eletrônico do hospital por meio da conta de um médico para prescrever medicamentos incompatíveis com os quadros clínicos das vítimas. Essa conduta, combinada com aplicações diretas de substâncias tóxicas, configurou um padrão de assassinatos premeditados, segundo as autoridades.

Entre os métodos utilizados, destacou-se a injeção de desinfetante diretamente na veia dos pacientes, realizada em múltiplas ocasiões em pelo menos um dos casos confirmados. Os técnicos simulavam procedimentos de emergência, como massagens cardíacas, para disfarçar as consequências imediatas das aplicações letais. Essa encenação visava manter a aparência de cuidados rotineiros, mas câmeras de segurança e registros digitais acabaram por fornecer provas irrefutáveis contra os envolvidos.

A descoberta dos crimes partiu de uma análise interna realizada pelo próprio hospital, que identificou padrões atípicos nos óbitos recentes. Diante das suspeitas, a instituição denunciou o caso à polícia, levando à instauração de uma investigação minuciosa. Os suspeitos, ao serem confrontados com as evidências, confessaram os atos, embora sem demonstrar qualquer sinal de remorso, o que agravou a percepção pública sobre a frieza das ações.

Atualmente, a polícia busca esclarecer as motivações por trás dos homicídios, descartando inicialmente a hipótese de eutanásia ou misericórdia. Há indícios de que os crimes possam estar ligados a questões pessoais ou financeiras, mas nada foi confirmado até o momento. Além disso, as autoridades analisam cerca de vinte outros óbitos ocorridos no mesmo período para verificar possíveis conexões, ampliando o escopo da operação e potencializando o número de vítimas.

O Hospital Anchieta, por sua vez, agiu rapidamente ao demitir os envolvidos e colaborar integralmente com as investigações, fornecendo acesso a documentos e imagens de vigilância. Em nota oficial, a instituição expressou solidariedade às famílias das vítimas e reforçou seu compromisso com protocolos de segurança, anunciando medidas adicionais para prevenir incidentes semelhantes. Esse posicionamento visa restaurar a confiança da população no sistema de saúde local.

O caso expõe vulnerabilidades no setor hospitalar, levantando debates sobre a necessidade de maior fiscalização em ambientes de cuidados intensivos. Enquanto o inquérito segue em segredo de justiça, a sociedade aguarda por respostas que possam trazer justiça às famílias afetadas e impedir que tragédias como essa se repitam no futuro.

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