Essas são as vítimas que perderam a vida na UTI; os técnicos de enfermagem são suspeitos

No Distrito Federal, um caso chocante de possíveis assassinatos em série abalou a opinião pública, envolvendo o Hospital Anchieta, em Taguatinga. Três pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) morreram de forma súbita entre novembro e dezembro de 2025, após pioras inexplicáveis em seus quadros clínicos. A Polícia Civil do DF (PCDF) iniciou uma investigação que aponta para a aplicação irregular de substâncias por parte de técnicos de enfermagem, configurando um cenário de homicídios premeditados. Esse episódio levanta questionamentos sobre a segurança em ambientes hospitalares e a vulnerabilidade de pacientes em situações críticas, destacando falhas potenciais no sistema de saúde privado da capital.
As vítimas identificadas representam perfis comuns da sociedade brasiliense, o que torna o crime ainda mais perturbador. A primeira foi Miranilde Pereira da Silva, uma professora aposentada de 75 anos, residente em Taguatinga. Ela era conhecida por sua dedicação à educação na rede pública do DF, tendo influenciado gerações de alunos ao longo de décadas. Sua morte ocorreu em 17 de novembro de 2025, após uma internação por complicações de saúde que pareciam controladas até o momento da piora repentina. Familiares e amigos descrevem Miranilde como uma mulher ativa e envolvida com a comunidade, cuja perda deixou um vazio irreparável.
A segunda vítima, João Clemente Pereira, de 63 anos, era um servidor público da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), onde atuava como supervisor de manutenção. Morador do Riacho Fundo I, João era pai de família e conhecido por sua responsabilidade e dedicação ao trabalho, contribuindo para o abastecimento de água e esgoto na região. Sua morte, registrada em dezembro de 2025, veio após uma internação por problemas cardiovasculares, que evoluíram de forma abrupta e fatal. Colegas de trabalho lamentam a ausência de um profissional experiente, cuja trajetória era marcada por anos de serviço público.
O terceiro paciente falecido foi Marcos Raymundo Fernandes Moreira, um carteiro de 33 anos, funcionário dos Correios lotado no Centro de Distribuição Domiciliar de Brazlândia, onde residia. Jovem e cheio de planos, Marcos era descrito por conhecidos como uma pessoa extrovertida e comprometida com sua rotina diária de entregas, conectando comunidades rurais e urbanas. Sua morte, também em dezembro de 2025, ocorreu durante tratamento na UTI por uma condição aguda, mas a piora veio de maneira inesperada, levantando suspeitas imediatas. A perda precoce de Marcos impactou profundamente sua família e o círculo de amigos, que buscam justiça para entender o que realmente aconteceu.
A investigação da PCDF, coordenada pela Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), revelou indícios de que os técnicos de enfermagem envolvidos acessaram indevidamente o sistema eletrônico do hospital para prescrever e aplicar substâncias incompatíveis com os tratamentos em curso. Uma delas, possivelmente cloreto de potássio, foi administrada diretamente na veia dos pacientes, causando paradas cardiorrespiratórias fulminantes. Os suspeitos, incluindo um jovem de 24 anos como principal articulador, foram presos em 19 de janeiro de 2026, após meses de apurações que incluíram análise de câmeras de segurança, prontuários médicos e depoimentos de funcionários.
O Hospital Anchieta, por sua vez, colaborou com as autoridades ao denunciar irregularidades internas, o que acelerou o processo investigativo. Em nota oficial, a instituição lamentou os óbitos e reforçou seu compromisso com protocolos de segurança, anunciando medidas internas para revisar acessos a medicamentos e sistemas digitais. No entanto, o caso expõe fragilidades no monitoramento de equipes de saúde, especialmente em UTIs, onde a confiança entre profissionais é essencial. Familiares das vítimas cobram transparência e indenizações, enquanto a sociedade questiona como tais atos puderam ocorrer em um ambiente supostamente controlado.
Com a possibilidade de até 20 outras mortes sob análise, o inquérito continua em andamento, podendo revelar um padrão mais amplo de conduta criminosa. Esse episódio serve como alerta para o aperfeiçoamento de normas regulatórias no setor de saúde, enfatizando a necessidade de treinamentos rigorosos e fiscalizações constantes. Enquanto a justiça segue seu curso, as histórias de Miranilde, João e Marcos permanecem como lembrete da fragilidade da vida e da importância de proteger os mais vulneráveis em momentos de crise.



