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Casos chocam o país: quem são os pacientes mortos por técnicos de enfermagem na UTI

A investigação que apura a morte de pacientes internados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Distrito Federal segue revelando detalhes que chocam familiares, profissionais da saúde e a sociedade. As vítimas, segundo as autoridades, receberam substâncias diretamente na veia, procedimento que não fazia parte do protocolo médico, e tinham em comum o quadro de obesidade e internação em estado delicado. O caso levanta um alerta grave sobre segurança hospitalar, fiscalização de rotinas e a confiança depositada por pacientes e famílias em ambientes destinados ao cuidado e à preservação da vida.

Entre as vítimas estão dois servidores públicos. João Clemente Pereira, de 63 anos, trabalhava na Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb). A família informou que, até recentemente, acreditava que o falecimento havia ocorrido por causas naturais, em decorrência do quadro clínico apresentado durante a internação. Apenas no dia 16 de janeiro os parentes tomaram conhecimento das suspeitas levantadas pela investigação policial, o que trouxe um novo e doloroso entendimento sobre a morte do idoso.

Outro caso é o de Marcos Moreira, de 33 anos, servidor dos Correios e morador de Brazlândia. Ele faleceu no dia 2 de dezembro, enquanto estava internado na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. Colegas de trabalho e familiares relatam surpresa e consternação diante das informações que vieram à tona, especialmente pela idade jovem da vítima e pela expectativa de recuperação que existia durante o período de internação.

A terceira vítima identificada é uma professora aposentada de 75 anos, cuja identidade foi preservada pelas autoridades. Ela morreu no dia 17 de novembro, também em contexto semelhante, segundo os investigadores. A mulher morava em Taguatinga e deixou marido, filhos e netos. O caso reforça a dimensão humana da investigação, que vai além de números e estatísticas e atinge famílias inteiras, agora em busca de respostas e justiça.

De acordo com a Polícia Civil do Distrito Federal, os elementos reunidos até o momento indicam que um técnico de enfermagem teria atuado de forma irregular ao acessar sistemas internos e realizar procedimentos sem autorização médica. As investigações apontam que ele teria preparado substâncias e aplicado nos pacientes, aproveitando-se de brechas na rotina hospitalar. As autoridades destacam que imagens de câmeras de segurança e a análise detalhada dos prontuários médicos foram fundamentais para o avanço das apurações.

O inquérito também apura a conduta de outras duas técnicas de enfermagem que trabalhavam no mesmo hospital. Embora não tenham participado diretamente da aplicação das substâncias, elas são investigadas por possível negligência, uma vez que teriam presenciado situações atípicas e não comunicado imediatamente à administração do hospital ou às autoridades. As três profissionais foram presas em janeiro e podem responder criminalmente, conforme o desfecho do processo judicial.

Em nota oficial, o Hospital Anchieta informou que, ao identificar circunstâncias incomuns relacionadas aos óbitos, instaurou um comitê interno de análise e conduziu investigação própria. A instituição afirmou que colaborou integralmente com as autoridades, solicitando a abertura de inquérito policial e prestando esclarecimentos às famílias. O caso segue em segredo de justiça, enquanto a polícia avalia a possibilidade de outras vítimas e reforça a importância de protocolos rigorosos, transparência e vigilância constante para garantir a segurança dos pacientes em ambientes hospitalares.

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