Bacabal: crianças se perderam a caminho de pé de maracujá, diz polícia

O desaparecimento de crianças no quilombo de São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no interior do Maranhão, segue mobilizando autoridades e moradores da região. Nesta segunda-feira (19), novas informações ajudaram a esclarecer como tudo começou, trazendo detalhes importantes para a investigação e renovando a atenção sobre o caso que comove a comunidade local.
Segundo a Polícia Civil do Maranhão (PCMA), as crianças teriam se perdido após entrarem na mata em busca de um pé de maracujá. A informação foi confirmada pelo delegado Edson Martins, com base no relato de Anderson Kauan, de 8 anos, primo de Isabelle, de 6, e Michael, de 4. Enquanto Anderson já foi localizado, os dois menores continuam desaparecidos.
De acordo com o delegado, o grupo saiu junto com um objetivo simples, comum na rotina de quem vive em áreas rurais: chegar até um pé de maracujá conhecido pela família. No entanto, ainda no caminho, um tio percebeu a movimentação e orientou que todos voltassem para casa. A partir daí, a situação tomou outro rumo.
Para não serem vistos novamente, as crianças decidiram entrar na mata por um lado oposto ao da residência, tentando contornar o trajeto. Foi nesse momento que perderam a referência do caminho e passaram a andar sem direção definida. A mata fechada, segundo os investigadores, contribuiu para a desorientação do grupo.
Após três dias desaparecido, Anderson Kauan foi encontrado por um carroceiro em uma área de matagal, a cerca de quatro quilômetros do local onde havia sumido. Ele apresentava sinais claros de cansaço extremo e estava sem roupas. Aos policiais, contou que Isabelle e Michael haviam seguido mais à frente, mas, apesar das buscas intensas, os dois não foram localizados até o momento. A investigação também confirmou que Anderson não sofreu nenhum tipo de agressão.
O depoimento do menino tem sido fundamental para orientar os trabalhos. Ele relatou que, durante o percurso, as crianças chegaram a se abrigar em uma “casa caída”, uma construção antiga e bastante deteriorada. A descrição detalhada — incluindo a presença de cadeiras e colchões velhos — permitiu que as equipes encontrassem o local. Cães farejadores confirmaram que as crianças passaram por ali.
Segundo Anderson, a estrutura estava tão comprometida que eles acabaram passando parte da noite aos pés de uma árvore. Foi nesse ponto que teria ocorrido a separação. Isabelle e Michael estavam muito cansados e não conseguiram seguir no mesmo ritmo. O delegado Edson Martins explicou que o menino apresenta lapsos de memória, o que é considerado natural diante da situação enfrentada. “Há momentos em que ele não consegue situar exatamente onde estava ou quanto tempo passou”, afirmou.
Com base nessas informações, a área central das buscas foi concentrada nas proximidades da chamada “casa caída”, localizada perto do rio Mearim. Após o esgotamento das buscas terrestres, as forças de segurança ampliaram a operação e passaram a atuar também no meio fluvial, com apoio de mergulhadores e da Marinha.
Apesar do reforço e da atuação integrada, até agora nenhuma nova pista foi encontrada. O caso segue em investigação, enquanto familiares e moradores mantêm a esperança de que Isabelle e Michael sejam localizados. A situação também reacende o debate sobre segurança, orientação e cuidados com crianças em áreas de mata, especialmente em comunidades tradicionais, onde o contato com a natureza faz parte do cotidiano.



