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Polícia reconhece “grande equívoco” em operação que matou homem

Uma operação da Brigada Militar realizada na zona rural de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul, terminou de forma trágica na madrugada de quinta-feira (15) e segue gerando forte repercussão no estado. O agricultor Marcos Nörnberg, de 48 anos, morreu durante a ação policial, fato que levou o comandante-geral da corporação, Cláudio Feoli, a reconhecer publicamente que houve um “grande equívoco” na condução da operação. A declaração foi feita durante um evento oficial de divulgação dos dados de criminalidade de 2025, reforçando a gravidade do ocorrido e a necessidade de apuração rigorosa.

Segundo Feoli, a avaliação inicial da própria Brigada Militar aponta falhas relevantes no procedimento adotado. O comandante destacou que o reconhecimento do erro não representa um julgamento antecipado, mas uma constatação diante das informações já conhecidas. Como medida imediata, os 18 policiais militares envolvidos foram afastados das funções operacionais, e a Corregedoria-Geral instaurou um Inquérito Policial Militar para esclarecer as circunstâncias da ação. As armas utilizadas também foram recolhidas para análise técnica.

Paralelamente à apuração interna da Brigada Militar, a Polícia Civil abriu um inquérito próprio para investigar o caso. O delegado César Nogueira afirmou que a corporação não tinha conhecimento prévio da operação realizada pela BM e classificou como incomum o número de policiais e viaturas mobilizados para a ocorrência. Testemunhas, incluindo familiares da vítima, começaram a ser ouvidas, em busca de uma reconstrução detalhada dos fatos que ocorreram naquela madrugada.

De acordo com o comandante-geral da BM, a ação teve origem em informações obtidas após a prisão de dois suspeitos no Paraná, ligados a um grupo criminoso investigado em Pelotas. Esses indivíduos teriam fornecido detalhes sobre um possível local onde outros integrantes estariam escondidos, o que levou à mobilização de diversas guarnições. A estratégia, segundo Feoli, foi baseada na necessidade de atuação com grande presença policial diante do cenário informado, que acabou se revelando incorreto.

A versão apresentada pela Brigada Militar aponta que os policiais realizavam buscas na área rural após um roubo a residência ocorrido dias antes, quando um trabalhador teria sido mantido sob vigilância por longo período. Com base em dados repassados pela polícia paranaense, a BM planejou a operação acreditando que encontraria suspeitos envolvidos no crime, além de veículos e armas. No entanto, o desfecho da ação revelou que o alvo não correspondia às informações recebidas, reforçando a linha de investigação sobre erro de inteligência.

O impacto humano do ocorrido foi destacado especialmente pelo relato da viúva de Marcos Nörnberg. Ela afirmou que, inicialmente, acreditou estar diante de criminosos, tamanha foi a forma como a abordagem aconteceu. Segundo seu depoimento, somente depois percebeu que se tratava de policiais, o que aumentou ainda mais a sensação de choque e incredulidade. O sepultamento do agricultor ocorreu na manhã de sexta-feira (16), em Pelotas, acompanhado por familiares e amigos próximos, em um clima de profunda comoção.

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, também se manifestou, defendendo uma apuração rigorosa e transparente. Ele ressaltou que, embora a polícia gaúcha seja reconhecida pelo preparo técnico, nenhuma instituição está livre de falhas. Para o governador, o mais importante neste momento é garantir que os mecanismos de controle funcionem plenamente, assegurando respostas claras à sociedade e eventuais responsabilizações, se confirmadas irregularidades.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Homicídios de Pelotas e da Corregedoria da Brigada Militar. A expectativa das autoridades é que os inquéritos tragam esclarecimentos objetivos sobre como a ação foi planejada, quais informações motivaram a operação e onde ocorreram as falhas que levaram ao desfecho. Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre protocolos policiais, uso de informações de inteligência e a importância de ações coordenadas para evitar que situações semelhantes voltem a acontecer.

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