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Morre o empresário Otto Baumgart, aos 45 anos, em São Paulo

A notícia da morte de Otto Baumgart, aos 45 anos, neste domingo, 11, em São Paulo, repercutiu de forma discreta, porém profunda, nos bastidores do empresariado brasileiro. Não apenas pelo sobrenome que carrega peso histórico, mas pelo modo como ele escolheu viver e conduzir os negócios da família. Otto era presidente do Conselho de Administração do Grupo Baumgart e lutava, desde o fim de 2023, contra um câncer colorretal, enfrentado longe dos holofotes.

Neto do fundador Otto Gustav Gottfried Baumgart e filho de Roberto Baumgart, ele representava a terceira geração à frente de um conglomerado que faz parte do cotidiano de milhões de brasileiros. O grupo controla ativos conhecidos, como o Shopping Center Norte, o Expo Center Norte, o Shopping Lar Center e a Vedacit. Ainda assim, Otto nunca se acomodou na condição de herdeiro. Pelo contrário, fez questão de construir sua trajetória antes de assumir posições estratégicas dentro da empresa da família.

Formado em Administração de Empresas, com especialização pela Harvard Business School, ele acumulou experiências fora do grupo. Passou por empresas como Toshiba, Itaú e Ancar, além de um período profissional em Nova York. Esse caminho, muitas vezes mais longo e exigente, ajudou a moldar um perfil menos comum: o de um executivo que conhecia tanto o chão da operação quanto a complexidade das decisões de alto nível.

Quando retornou ao Grupo Baumgart, Otto encontrou um cenário que pedia atualização. E foi aí que deixou uma de suas marcas mais relevantes. Ele liderou o processo de profissionalização da gestão, defendendo uma separação clara entre família e administração executiva. Em 2012, foi peça-chave na criação do Conselho de Administração, que passou a atuar como guardião da estratégia e da governança. Como ele próprio resumiu certa vez, ao falar sobre sucessão: “Deixamos de ser apenas filhos e passamos a ser também acionistas”.

Nos últimos anos, sua atuação ganhou um contorno ainda mais social. Otto se aproximou do ecossistema de startups e passou a defender modelos de negócio com impacto real na vida das pessoas. A questão da habitação para famílias de baixa renda tornou-se uma de suas principais bandeiras. Durante a pandemia de Covid-19, ele chamou atenção para o agravamento do déficit habitacional, destacando que o lar havia se tornado o principal espaço de proteção e acolhimento.

Essa visão não ficou apenas no discurso. O apoio ao Programa Vivenda, voltado à reforma de moradias em comunidades de baixa renda, simbolizou uma mudança importante: a filantropia tradicional dando lugar a iniciativas sustentáveis, capazes de gerar impacto social contínuo. Para Otto, fazer negócios e transformar realidades não eram caminhos opostos.

Além do executivo e conselheiro respeitado, fica a lembrança do homem de família. Otto deixa a esposa, Paloma Baumgart, e três filhos: Otto, Olivia e Heidi. O velório acontece nesta terça-feira, 13, das 12h às 16h, no Funeral Morumbi, na zona sul de São Paulo. O sepultamento será às 17h, no Cemitério Redentor, no Sumaré. Em um último gesto simbólico, a família pediu que os presentes compareçam vestidos de branco, uma forma simples e serena de homenagear alguém que acreditava em legado, responsabilidade e futuro.

 

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