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Único menino achado revela onde deixou as outras 2 crianças

O caso das três crianças que desapareceram em Bacabal, no interior do Maranhão, segue mobilizando a cidade e chamando a atenção de todo o país. Anderson Kauã, de oito anos, foi encontrado no dia 7 de janeiro, três dias após o sumiço. Já os irmãos Ágata Isabelle, de cinco anos, e Allan Michael, de quatro, continuam desaparecidos, e as buscas chegaram ao nono dia com um grande esforço conjunto entre autoridades e moradores da região.

Desde o início, a angústia tomou conta das famílias e da comunidade local. Bacabal, acostumada à rotina tranquila, passou a viver dias intensos, com sirenes, helicópteros, grupos de voluntários e equipes especializadas percorrendo áreas de mata, estradas vicinais e pontos indicados por moradores. A esperança de encontrar Ágata e Allan permanece viva, alimentada principalmente pelas novas informações trazidas por Anderson.

Quando foi localizado, Anderson Kauã estava bastante debilitado, desorientado e desidratado. Ele precisou de cuidados médicos imediatos e, nos primeiros momentos, não conseguiu explicar com clareza o que havia acontecido. Além disso, o menino é atípico, o que tornou o processo de comunicação ainda mais delicado. Com o passar dos dias, no entanto, sua recuperação permitiu que ele começasse a relatar detalhes importantes.

Segundo Anderson, não houve nenhum tipo de crime. As três crianças teriam entrado sozinhas na área de mata enquanto brincavam, sem perceber o quanto estavam se afastando. Em determinado momento, ao notarem que estavam perdidos, Ágata Isabelle teria ficado bastante irritada. O menino contou ainda que tentou ajudar o primo mais novo, Allan Michael, chegando a carregá-lo nos braços por um período, mas não conseguiu manter isso por muito tempo devido ao cansaço.

Um dos pontos mais relevantes do relato é quando Anderson explica que deixou os dois primos em um casebre simples, usado como abrigo, durante uma chuva. Ele decidiu sair sozinho para tentar encontrar o caminho de volta. Ao retornar ao local, porém, Ágata e Allan já não estavam mais ali. Essa informação passou a ser considerada fundamental para direcionar as buscas, que agora se concentram em áreas próximas ao local descrito pelo menino.

Diante da complexidade da situação, Anderson Kauã será ouvido por uma equipe de escuta especializada. Profissionais do IPCA, instituição responsável por perícias médico-legais, sociais e psicológicas, já estão em Bacabal para realizar esse trabalho com todo o cuidado necessário. A promotora da Infância e Juventude, Michelle Dias, explicou à TV Mirante que o objetivo é proteger o menino e garantir que qualquer relato seja colhido de forma adequada, respeitando sua condição emocional e psicológica.

Segundo a promotora, desde que Anderson foi encontrado, medidas protetivas vêm sendo adotadas. Ela destacou que se trata de uma criança pequena, fragilizada por um episódio traumático, e que a escuta precisa seguir protocolos específicos previstos em lei. Esses protocolos incluem tanto a escuta especializada, com caráter protetivo, quanto a possibilidade de um depoimento especial em ambiente judicial, caso seja necessário.

A psicóloga que já acompanhava Anderson antes do ocorrido segue ao lado dele durante todo o processo, mantendo o vínculo terapêutico e auxiliando na avaliação emocional. Enquanto isso, as buscas por Ágata Isabelle e Allan Michael continuam, com a união de forças de segurança, especialistas e voluntários, todos movidos pelo mesmo sentimento: encontrar as duas crianças e trazer alguma resposta para uma comunidade que segue apreensiva, mas ainda confiante.

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