Polícia considera como suspeita a morte do tio de Suzane von Richthofen em SP

A Polícia Civil de São Paulo registrou como morte suspeita o falecimento do médico Miguel Abdalla, de 76 anos, ocorrido em sua residência na Vila Congonhas, na zona sul da capital. O caso chamou atenção não apenas pelo procedimento adotado pelas autoridades, mas também pelo histórico familiar que envolve o nome do médico, tio materno de Suzane von Richthofen, figura que ficou conhecida nacionalmente no início dos anos 2000.
O corpo foi localizado na sexta-feira (9), depois que vizinhos estranharam a ausência de movimentação na casa. Segundo relatos, Miguel não era visto havia pelo menos dois dias, o que levou ao acionamento da polícia. Em um primeiro momento, a Polícia Militar informou que não havia sinais aparentes de violência nem indícios de arrombamento no imóvel, o que poderia indicar uma morte por causas naturais. Ainda assim, o caso não foi encerrado de forma imediata.
A Secretaria da Segurança Pública esclareceu que o registro como morte suspeita é um procedimento padrão adotado sempre que há necessidade de apuração mais detalhada. Nessas situações, a classificação permite que a perícia técnica atue com mais profundidade, afastando dúvidas e garantindo transparência na investigação. O boletim de ocorrência foi elaborado no 27º Distrito Policial, no Campo Belo, responsável pela área.
O corpo de Miguel Abdalla foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde passará por exame necroscópico. Esse laudo será fundamental para apontar a causa oficial da morte e esclarecer as circunstâncias em que ela ocorreu. Só após a conclusão dessa etapa é que a Polícia Civil poderá confirmar se o óbito decorreu de fatores naturais ou se há algum outro elemento relevante a ser considerado.
Miguel Abdalla era médico e teve papel importante na história recente da família von Richthofen. Ele foi tutor de Andreas, irmão de Suzane, e também o primeiro inventariante dos bens deixados por Manfred e Marísia von Richthofen. No entanto, essa função acabou se tornando motivo de conflito. Em 2005, Miguel foi afastado do cargo após acusações feitas por Suzane, que alegava irregularidades na administração do espólio.
A relação entre tio e sobrinha, desde então, passou a ser marcada por disputas públicas e episódios de tensão. Em 2006, Miguel chegou a denunciar que estaria sendo vigiado, situação que ganhou repercussão na época e resultou em pedidos judiciais envolvendo a família. Com o tempo, Andreas assumiu a gestão dos bens, logo após atingir a maioridade, substituindo oficialmente o tio na função.
Atualmente, Suzane cumpre pena em regime aberto desde o início de 2023, após ter sido condenada a mais de 39 anos de prisão pelo assassinato dos pais, ocorrido em 2002. O caso, que até hoje é lembrado em debates sobre o sistema penal brasileiro, volta indiretamente ao noticiário com a morte de Miguel Abdalla, reacendendo a atenção sobre personagens ligados a essa história.
Agora, a expectativa gira em torno do resultado da perícia. Até que o laudo do IML seja divulgado, a investigação segue em andamento, e as autoridades mantêm cautela. O objetivo, segundo a Polícia Civil, é simples e necessário: esclarecer os fatos com precisão e responsabilidade.



