Morre Isabel Veloso, aos 19 anos

A morte da influenciadora digital Isabel Veloso, aos 19 anos, neste 10 de janeiro de 2026, encerra uma trajetória marcada por extrema resiliência diante de uma das batalhas mais desafiadoras que alguém pode enfrentar: o linfoma de Hodgkin, diagnosticado quando ela tinha apenas 15 anos. Natural do Paraná, Isabel transformou sua experiência com a doença em uma poderosa ferramenta de conscientização, compartilhando abertamente cada etapa do tratamento, as recaídas, as esperanças e as dores por meio das redes sociais, onde conquistou centenas de milhares de seguidores que acompanharam sua história com admiração e comoção.
Desde o diagnóstico inicial, em 2021, quando um tumor no pescoço e no tórax ameaçava sua respiração e comprimia o coração, Isabel enfrentou quimioterapias intensas, um primeiro transplante de medula óssea e períodos de aparente vitória sobre a doença. Em 2024, porém, veio a notícia mais dura: a recidiva agressiva do câncer, considerada terminal pelos médicos, o que a levou inicialmente aos cuidados paliativos. Mesmo diante desse prognóstico, ela demonstrou uma força rara, continuando a produzir conteúdo e a dialogar com honestidade sobre viver com uma doença grave e progressiva.
Um dos capítulos mais emblemáticos de sua jornada foi a gravidez. Em 2024, Isabel anunciou que esperava seu primeiro filho com o marido Lucas Borbas, com quem se casou em um emocionante evento realizado às pressas e transmitido ao vivo nas redes. Arthur, hoje com 11 meses, nasceu em meio a um cenário de incertezas médicas, mas representou para ela um símbolo poderoso de vida e continuidade, mesmo quando o próprio corpo lutava para se manter.
Em maio de 2025, veio um momento de grande esperança: Isabel anunciou que o câncer estava em remissão, abrindo caminho para um novo transplante de medula óssea realizado em outubro, com seu pai, Joelson Veloso, como doador. A frase “Rumo à cura” ecoou entre seus seguidores como um grito de resistência. Após a alta hospitalar no início de novembro, a alegria durou pouco: complicações respiratórias graves, pneumonia e a temida Doença do Enxerto Contra o Hospedeiro (DECH) a levaram novamente à UTI do Hospital Erasto Gaertner, em Curitiba, onde permaneceu intubada por semanas.
A partida de Isabel não representa apenas a perda de uma jovem vida, mas também o fim de uma presença digital que humanizou o câncer de forma rara. Sua articulação, bom humor mesmo nos dias mais difíceis e a coragem de expor vulnerabilidades tocaram profundamente o público. Muitos a acompanharam por curiosidade, mas permaneceram por empatia, aprendendo sobre os limites da medicina, a importância dos cuidados paliativos e a necessidade de acolhimento às pessoas que vivem com doenças incuráveis.
O marido Lucas Borbas, em publicação emocionada nas redes sociais, expressou a dor imensa da perda, mas também a certeza de que o amor compartilhado permanece. “Ela foi luz nos dias mais escuros, foi coragem quando tudo dizia para desistir”, escreveu, prometendo seguir em frente por eles e pelo pequeno Arthur. A família, incluindo os pais Miriam e Joelson, que estiveram ao seu lado em cada internação, agora enfrenta o luto de quem acompanhou uma luta tão longa e intensa.
Isabel Veloso deixa um legado que transcende números de seguidores ou visualizações: o exemplo de que é possível viver com dignidade, amor e autenticidade mesmo quando o tempo é curto. Sua história continuará reverberando como lembrete da fragilidade da vida, da força do afeto e da importância de transformar a dor pessoal em algo que possa ajudar e sensibilizar os outros. Que seu descanso seja em paz, e que sua luz siga iluminando aqueles que, como ela, enfrentam batalhas silenciosas.



