Identificada a grávida de gêmeas que caiu no banheiro e chegou ao hospital sem vida

A cidade de Curitiba amanheceu mais silenciosa e pesada nesta semana. A notícia da morte de Nycolle Fadel Sotto Navarro, de 29 anos, junto com suas filhas gêmeas, Laura e Maria Luísa, se espalhou rapidamente e provocou uma comoção difícil de descrever. Não foi apenas mais um caso triste. Foi daqueles episódios que fazem a gente parar, respirar fundo e refletir sobre a fragilidade da vida.
Nycolle atuava como técnica de enfermagem e era conhecida por colegas e amigos pelo jeito dedicado e pela alegria com que encarava a rotina, mesmo diante dos desafios da área da saúde. Grávida de gêmeas, ela vivia um momento especial, contando os dias para iniciar uma nova fase, agora como mãe. Pessoas próximas relatam que o assunto “as meninas” aparecia em quase toda conversa, sempre acompanhado de um sorriso largo e planos simples, mas cheios de significado.
Na última quinta-feira (8), a rotina da família foi interrompida de forma abrupta. Nycolle foi encontrada inconsciente no banheiro de casa pelo marido, que imediatamente buscou ajuda. Ela foi levada ao Hospital VITA, onde deu entrada no pronto-socorro em estado extremamente grave, sem sinais vitais. A equipe médica agiu com rapidez, seguindo todos os protocolos de emergência disponíveis.
Em meio à tentativa de reverter o quadro e preservar a vida das bebês, os profissionais realizaram um parto de emergência. Foi uma decisão tomada em segundos, fruto da experiência e do compromisso de uma equipe acostumada a lutar até o fim. Apesar de todos os esforços, infelizmente, o desfecho não foi o esperado. Em nota oficial, o hospital informou que tanto Nycolle quanto as filhas já estavam sem vida ao final dos procedimentos.
A mesma nota reforçou o apoio à família, reconhecendo a dor imensurável de uma perda que foge a qualquer explicação simples. Entre profissionais da saúde, o caso ganhou um significado ainda mais profundo. Muitos destacaram que Nycolle fazia parte da linha de frente do cuidado, alguém que dedicou seus dias a aliviar dores alheias e que, ironicamente, partiu justamente quando aguardava o momento mais transformador de sua própria vida.
O velório aconteceu na sexta-feira (9), no Cemitério Vertical de Curitiba, reunindo familiares, amigos, colegas de trabalho e pessoas que, mesmo sem convivência próxima, se sentiram tocadas pela história. O clima era de respeito, silêncio e solidariedade. Não havia muitas palavras. Às vezes, o abraço fala mais do que qualquer discurso.
Nas redes sociais, mensagens de despedida e condolências continuam surgindo. Profissionais da saúde, especialmente, prestaram homenagens, lembrando da postura ética, do companheirismo e da forma humana com que Nycolle tratava pacientes e colegas. Em um momento em que tanto se fala sobre exaustão na área da saúde, histórias como a dela reforçam o valor dessas pessoas que cuidam do próximo, muitas vezes sem o devido reconhecimento.
A partida de Nycolle, Laura e Maria Luísa deixa um vazio difícil de preencher. Fica a saudade, a memória de uma jovem cheia de planos e o carinho coletivo de uma cidade que, mesmo sem conhecer todos os detalhes, sentiu a dor como se fosse sua. Em meio ao luto, resta o desejo sincero de conforto aos familiares e a esperança de que o amor deixado por ela siga vivo na lembrança de todos.



