Morre em São Paulo aos 47 anos o jornalista Conrado Corsalette

A morte do jornalista Conrado Corsalette, aos 47 anos, nesta quinta-feira (8), em São Paulo, pegou de surpresa colegas de profissão, leitores e amigos que acompanharam de perto sua trajetória no jornalismo brasileiro. A notícia se espalhou rapidamente pelas redações e pelas redes sociais, em um dia que, até então, seguia o ritmo comum da cobertura política nacional.
Conrado foi encontrado em casa, na região de Santa Cecília, área central da capital paulista. A informação foi confirmada pela polícia, que não divulgou detalhes sobre a causa da morte. Ele morava sozinho e foi a namorada quem o encontrou. Natural de Santo Anastácio, no interior de São Paulo, Conrado era separado e deixa duas filhas, de 11 e 13 anos, que costumavam ser citadas por ele com carinho em conversas mais próximas. O jornalista completaria 48 anos no dia 5 de fevereiro.
Atualmente, Conrado atuava como secretário de redação adjunto na sucursal paulista do Poder360, jornal digital que se consolidou como uma das principais referências na cobertura de política e economia no país. Mas seu nome já estava marcado na história recente do jornalismo desde antes: ele foi um dos cofundadores do Nexo Jornal e ocupou o cargo de editor-chefe por uma década, período em que ajudou a moldar o estilo analítico e didático que se tornou a marca do veículo.
Quem acompanhou a carreira de Conrado sabe que a política sempre esteve no centro do seu trabalho. Antes do Nexo, passou por redações tradicionais como O Estado de S.Paulo e a Folha de S.Paulo, além de ter sido repórter do extinto jornal Agora. Em todas essas experiências, construiu reputação de jornalista rigoroso, atento aos detalhes e pouco afeito a simplificações fáceis — uma qualidade cada vez mais valorizada em tempos de excesso de informação.
Em 2023, Conrado lançou o livro “Uma crise chamada Brasil: a quebra da Nova República e a erupção da extrema direita”, publicado pela Fósforo Editora. A obra foi bem recebida por leitores e analistas, especialmente por conseguir explicar processos políticos complexos de forma acessível, sem abrir mão da profundidade. Amigos próximos relataram que ele vinha se dedicando, nos últimos meses, à pesquisa de um novo livro, novamente voltado à política nacional, tema que o acompanhou até o fim.
A repercussão da morte gerou diversas homenagens no meio jornalístico. O diretor de redação do Poder360, Fernando Rodrigues, resumiu o sentimento coletivo ao afirmar que Conrado era um dos jornalistas mais brilhantes de sua geração. Destacou não apenas a inteligência e a capacidade de identificar o que realmente importava como notícia, mas também o lado humano: a generosidade com profissionais mais jovens e a paixão genuína pelo ofício.
Em um momento em que o jornalismo enfrenta desafios constantes, a ausência de Conrado Corsalette deixa um vazio difícil de preencher. Mais do que cargos ou títulos, ele deixa um legado de seriedade, curiosidade e compromisso com a informação de qualidade — valores que seguem fazendo falta e que continuam sendo lembrados por quem teve o privilégio de trabalhar ao seu lado.



