Amigo de Eliza Samudio diz que foto do passaporte foi tirada quando ela estava grávida

O reaparecimento de um antigo passaporte atribuído a Eliza Samudio voltou a colocar o caso no centro das conversas nas últimas semanas. O documento, encontrado no fim do ano passado em um apartamento alugado em Portugal, levantou sobrancelhas e reacendeu dúvidas entre amigos e familiares da modelo, morta em 2010. A revelação veio a público por meio de uma reportagem exclusiva do portal LeoDias e, desde então, tem sido analisada com lupa por quem acompanhou a história desde o início.
O que mais chamou atenção não foi apenas o local onde o passaporte apareceu, mas o conjunto de informações que ele traz. Segundo o Jornal Extra, uma pessoa muito próxima de Eliza afirmou, sem rodeios, que os dados “não fazem sentido”. A principal estranheza está na foto do documento. Para essa fonte, a imagem teria sido feita quando Eliza já estava grávida, algo que não bate com a data oficial de emissão registrada no passaporte.
O documento indica o ano de 2007, enquanto Bruninho, filho de Eliza, nasceu apenas em fevereiro de 2010. Quem convivia com ela na época garante lembrar bem da foto. Pequenos detalhes físicos, comuns durante a gravidez, estariam visíveis na imagem. “Eu lembro dessa foto. Para mim, não tem lógica nenhuma estar em um documento de 2007”, relatou a fonte, em tom de incredulidade.
A surpresa não parou por aí. Familiares da modelo também ficaram impactados ao ver o passaporte intacto. A crença, até então, era de que todos os documentos pessoais de Eliza haviam sido destruídos na época do crime. Durante as investigações, a polícia encontrou apenas fragmentos queimados, e o corpo da vítima nunca foi localizado. Por isso, a existência de um passaporte em perfeito estado, fora do Brasil, soa quase como uma peça fora do quebra-cabeça.
De acordo com a apuração do portal LeoDias, o passaporte foi encontrado por um brasileiro que alugava o imóvel em Portugal. O documento não apresenta páginas rasgadas, manchas ou qualquer sinal de deterioração. Ele teria sido emitido em maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011. Há apenas um carimbo de entrada no país europeu, datado de 5 de maio de 2007, e nenhum registro de saída.
Esse detalhe, por si só, já gera novos questionamentos. Há provas concretas de que Eliza esteve no Brasil após essa data, inclusive porque todo o desenrolar do crime aconteceu em território nacional. Ou seja, o passaporte aponta para uma movimentação que não se encaixa na linha do tempo conhecida.
Mais de uma década depois, o caso Eliza Samudio continua sendo lembrado não apenas pela condenação do ex-goleiro Bruno Fernandes, sentenciado a 22 anos de prisão, mas também pelas lacunas que ficaram pelo caminho. Em tempos em que casos antigos voltam a ganhar destaque com novas descobertas — algo cada vez mais comum na era digital e das investigações colaborativas — o surgimento desse documento fora do país traz à tona perguntas que nunca foram totalmente respondidas.
O passaporte, agora, se soma a outros pontos nebulosos de uma história que marcou o país. Para amigos e familiares, não se trata de teorias mirabolantes, mas de buscar coerência nos fatos. Enquanto isso, o documento segue como um símbolo incômodo de que, mesmo tantos anos depois, ainda há peças soltas nessa narrativa.



