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Morre Paula Coelho, da TVI, aos 47 anos

A televisão portuguesa perdeu, em dezembro de 2025, uma das suas figuras mais irreverentes e marcantes da viragem do milénio: Paula Coelho faleceu aos 47 anos, vítima de complicações graves de saúde que chocaram amigos, colegas e o público que a acompanhou durante anos. Conhecida principalmente pelo programa “Nutícias”, exibido na SIC Radical em 2002, Paula conquistou notoriedade ao apresentar informações do dia-a-dia num formato provocador e humorístico, despindo-se progressivamente enquanto narrava as notícias. O conceito, ousado para a época, transformou-a numa ícone da televisão jovem e alternativa, misturando jornalismo leve com entretenimento adulto.

Antes da fama televisiva, a vida de Paula Coelho já carregava marcas de resiliência. Criada num contexto humilde, num bairro de barracas, descobriu aos 12 anos que fora adotada, juntamente com a irmã gémea Sandra, por uma família que considerava a verdadeira. Apesar das dificuldades iniciais, incluindo uma passagem por um colégio de freiras e episódios de rebeldia na adolescência, manteve uma ligação profunda e indestrutível com a irmã, que viria a ser a sua maior confidente ao longo da vida. Essa força pessoal refletia-se na sua personalidade extrovertida e na capacidade de enfrentar adversidades com determinação.

Após o sucesso do “Nutícias”, Paula afastou-se gradualmente da ribalta televisiva. Participou no reality show “Quinta das Celebridades”, da TVI, entre 2005 e 2007, e envolveu-se em projetos ligados ao futebol, como responsável de comunicação. Mais tarde, decidiu mudar radicalmente de rumo e viveu cerca de uma década em África, nomeadamente em Angola, onde enfrentou graves problemas de saúde, como malária, dengue e tifóide. Essas experiências, intensas e por vezes dramáticas, enriqueceram a sua visão de mundo, mas também deixaram sequelas físicas que marcaram os anos seguintes.

A saúde de Paula Coelho deteriorou-se de forma abrupta nos meses que antecederam a sua morte. Recentemente, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) durante a noite, o que levou à sua hospitalização urgente. Durante o internamento prolongado, que durou cerca de três meses, os médicos detetaram um cancro em estado avançado, já disseminado pelo corpo. Complicações adicionais, incluindo uma infeção hospitalar por bactéria, agravaram o quadro clínico, tornando a recuperação impossível apesar dos esforços médicos e do apoio familiar.

A partida de Paula foi confirmada pela irmã gémea, Sandra Coelho, numa publicação emocionante nas redes sociais. “Tiveste que ir eu sei, mas não consigo imaginar a minha vida sem ti! Minha melhor amiga, minha parceira, minha metade, meu sol, ainda é tão cedo”, escreveu Sandra, expressando a dor profunda da perda de quem considerava a sua “outra metade”. A mensagem, carregada de afeto e incredulidade, refletiu o sentimento coletivo de muitos que a conheceram: uma partida prematura de alguém cheia de vida, generosidade e lealdade.

Amigos e colegas do meio televisivo manifestaram publicamente o seu luto. Mónica Sofia, ex-concorrente da “Quinta das Celebridades” e amiga próxima, partilhou memórias tocantes, destacando o brilho e os sonhos que Paula ainda carregava. Figuras como Pimpinha Jardim e Isabel Figueira não esconderam as lágrimas em programas de televisão, recordando a irreverência e o carinho que a caracterizavam. A sua morte juntou-se a outras perdas marcantes de 2025 no panorama nacional, reforçando a fragilidade da existência mesmo para quem parece invencível.

Paula Coelho deixa um legado de ousadia e autenticidade numa era em que a televisão portuguesa experimentava formatos inovadores. Mais do que a apresentadora que se despia nas notícias, foi uma mulher que viveu intensamente, enfrentou desafios sem medo e manteve laços profundos com quem a rodeava. A sua partida, tão repentina e injusta aos 47 anos, serve de lembrete da importância de valorizar cada momento e as pessoas que cruzam os nossos caminhos com luz própria. Que descanse em paz, e que a sua memória continue a inspirar.

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