Picada de cobra durante festas de Ano-Novo faz mulher perder a perna

O que deveria ser um momento de lazer em meio à natureza terminou em uma situação dramática para a baiana Sueide Miranda, de 40 anos, natural de Vitória da Conquista. Durante uma visita à Cachoeira do Tijuípe, localizada em Serra Grande, distrito de Uruçuca, no sul da Bahia, ela sofreu um grave acidente envolvendo um animal peçonhento, episódio que mobilizou familiares, autoridades e gerou ampla repercussão nas redes sociais e na imprensa regional.
O caso aconteceu enquanto Sueide aproveitava o passeio turístico ao lado do marido, em uma área bastante frequentada por visitantes que percorrem a rodovia BA-001, entre Ilhéus e Itacaré. Segundo relatos da família, ela foi atingida por uma cobra considerada altamente venenosa, possivelmente da espécie popularmente conhecida como “boca podre”. O incidente teria ocorrido por volta do dia 20 de dezembro de 2025, embora algumas informações apontem a data de 26 de dezembro, o que ainda gera divergências.
Após o ocorrido, Sueide foi levada às pressas para o Hospital Regional Costa do Cacau, em Ilhéus, onde deu entrada em estado crítico. De acordo com informações médicas repassadas aos familiares, o envenenamento provocou complicações severas, exigindo intervenção cirúrgica de urgência. Desde então, ela permanece internada sob cuidados intensivos, em coma induzido, entubada e enfrentando um quadro de infecção generalizada, o que mantém seu estado de saúde considerado delicado.
Familiares afirmam que a situação poderia ter sido diferente se houvesse suporte imediato no local. Eles relatam que a Cachoeira do Tijuípe é uma propriedade privada, com cobrança de ingresso e estrutura que inclui restaurante, mas que, no momento do acidente, não houve atendimento emergencial adequado. Além disso, denunciam a ausência de placas de sinalização alertando sobre a possível presença de animais peçonhentos, o que, segundo eles, representa um risco para os visitantes.
Outro ponto levantado pela família é a falta de contato posterior por parte da administração do espaço turístico. De acordo com os relatos, após a remoção de Sueide para o hospital, não houve qualquer iniciativa dos responsáveis pelo local para acompanhar o caso ou oferecer apoio durante o período de internação. Esse silêncio, segundo parentes, aumentou o sentimento de indignação diante das graves consequências enfrentadas pela vítima.
Em resposta à repercussão do caso, a administração da Cachoeira do Tijuípe divulgou uma nota oficial. No comunicado, informou que este seria o primeiro registro de um incidente desse tipo no local, que recebe diariamente centenas de visitantes sem histórico anterior de ocorrências envolvendo animais venenosos. A gestão também ressaltou que a aplicação de soro antiofídico não é permitida fora de ambiente hospitalar, sendo necessária a transferência imediata da vítima para uma unidade de saúde, como ocorreu no caso.
Diante do cenário, a família de Sueide Miranda anunciou que pretende buscar medidas judiciais. Eles atribuem à administração da cachoeira a responsabilidade pelo ocorrido, pelas sequelas permanentes e pelas mudanças irreversíveis causadas em sua vida. O caso reacende o debate sobre segurança em pontos turísticos naturais, a necessidade de informação clara aos visitantes e a importância de protocolos de emergência eficazes, especialmente em áreas com grande fluxo de pessoas e contato direto com o meio ambiente.



