Sete meses após cirurgia de separação, segunda siamesa falece em Goiânia

Sete meses depois de uma cirurgia que parou o Brasil e entrou para a história da medicina nacional, uma notícia triste voltou a comover o país na véspera de Natal. Aruna Rodrigues, uma das gêmeas siamesas separadas em Goiânia, faleceu aos poucos mais de um ano e meio de vida. A informação foi confirmada na noite do dia 24 pelo médico Zacharias Calil, responsável pelo procedimento que mobilizou dezenas de profissionais e acompanhou de perto cada etapa da trajetória das meninas.
A história de Aruna e Kiraz começou ainda na gestação e ganhou o coração de milhares de brasileiros. Naturais de Igaraçu do Tietê, no interior de São Paulo, as irmãs nasceram unidas e, desde cedo, enfrentaram uma rotina intensa de exames, consultas e viagens. A cirurgia de separação, realizada no dia 10 de maio, foi resultado de mais de um ano de planejamento cuidadoso. Foram cerca de 19 horas de procedimento, acompanhadas em tempo real por quem torcia por um final feliz.
Kiraz não resistiu às complicações logo após a cirurgia, deixando uma dor profunda na família e em todos que acompanhavam o caso. Aruna, por sua vez, seguiu internada, passando por diversos procedimentos ao longo dos meses seguintes. Aos poucos, mostrou sinais de melhora. Segundo informações do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad), ela vinha sendo acompanhada diariamente por uma equipe multiprofissional e apresentou evolução positiva no último mês, o que permitiu sua transferência da UTI para a enfermaria no dia 10 de dezembro.
A mudança trouxe esperança. Para o pai, Alessandro Rodrigues, aquele momento representava um pequeno respiro depois de tanto tempo de tensão. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele contou que a filha havia vencido etapas difíceis, enfrentado cirurgias delicadas e demonstrado uma força que surpreendia até os médicos. No entanto, dias após a ida para a enfermaria, Aruna apresentou novas complicações, desenvolvendo um quadro infeccioso associado a um vírus, o que exigiu seu retorno à UTI.
Mesmo com todos os cuidados, o estado de saúde da menina se agravou. Aruna faleceu às 15h51 do dia 24 de dezembro, cercada por profissionais que fizeram tudo o que estava ao alcance para salvá-la. A notícia, divulgada justamente na data em que muitas famílias se reuniam para celebrar, trouxe um sentimento coletivo de silêncio e reflexão.
Em uma mensagem emocionada, o cirurgião Zacharias Calil escreveu que Aruna teve seu sofrimento aliviado e agora estaria junto da irmã. A publicação destacou não apenas a perda, mas também a coragem das gêmeas e da família, que enfrentaram uma batalha longa, pública e cheia de desafios. “Foi uma trajetória de luta”, resumiu o médico, em palavras que ecoaram nas redes sociais.
A história de Aruna e Kiraz deixa um legado que vai além da medicina. Ela fala sobre esperança, limites da ciência, empatia e solidariedade. Em meio a tantos comentários, homenagens e mensagens de apoio, fica a lembrança de duas meninas que, mesmo em pouco tempo de vida, tocaram o país inteiro e mostraram que algumas histórias não se medem em duração, mas em significado.



