Professora morre após ter 60% do corpo queimado em São Tomé das Letras; namorado é preso

A morte da professora Luana Leal Silva Rocha, de 26 anos, causou forte comoção em Minas Gerais e reacendeu discussões sobre relações abusivas e a necessidade de proteção às vítimas. A jovem faleceu na noite de terça-feira (23), após quase três semanas internada na Santa Casa de Poços de Caldas, hospital referência no atendimento a pacientes com lesões térmicas. Luana lutava pela vida desde o início de dezembro, quando deu entrada na unidade em estado grave, após um episódio ocorrido no distrito de Sobradinho, em São Tomé das Letras.
Segundo informações repassadas pela direção do hospital, durante todo o período de internação, a professora permaneceu sedada e sob suporte respiratório. Ao longo dos dias, a equipe médica realizou diversos procedimentos especializados, sempre com o objetivo de estabilizar o quadro clínico e favorecer a recuperação. Apesar dos esforços intensivos dos profissionais de saúde e da mobilização de familiares e amigos em correntes de oração e mensagens de apoio, Luana não resistiu às complicações decorrentes das lesões.
O caso teve início no dia 5 de dezembro e rapidamente ganhou repercussão na região. De acordo com a Polícia Civil, o então namorado da vítima, Kauê Magalhães Justino, de 19 anos, é apontado como o principal suspeito. Ele foi preso preventivamente no dia 13 de dezembro, após o avanço das investigações e a coleta de depoimentos. A apuração busca esclarecer todos os detalhes do ocorrido e as circunstâncias que levaram à internação da professora em estado crítico.
Conforme o boletim de ocorrência, moradores do distrito prestaram os primeiros socorros à vítima logo após o episódio e a encaminharam ao posto de saúde local. Diante da gravidade da situação, a equipe da unidade acionou a Polícia Militar e providenciou a transferência para atendimento especializado. Ainda consciente naquele momento, Luana relatou aos policiais que havia se desentendido com o companheiro pouco antes do ocorrido, informação que passou a integrar o inquérito policial.
Durante as diligências, a Polícia Militar esteve no local indicado pela vítima e encontrou um recipiente com vestígios de combustível, que foi recolhido para análise pericial. O material passou a fazer parte do conjunto de provas analisadas pela Polícia Civil. Três dias após o fato, Kauê Justino se apresentou espontaneamente na Delegacia de Três Corações, acompanhado dos pais e de um advogado. Ele permaneceu pouco tempo na unidade, optou por não responder aos questionamentos e foi liberado naquele momento.
Com o andamento das investigações, a oitiva de testemunhas e a conclusão das perícias iniciais, a Justiça decretou a prisão preventiva do suspeito. Ele foi localizado na residência dos pais, não apresentou resistência e foi conduzido à Penitenciária de Três Corações, onde permanece à disposição do Judiciário. Procurada, a defesa de Kauê informou que, por orientação, não se manifestaria sobre o caso neste momento.
O corpo de Luana Leal Silva Rocha será sepultado na cidade de Minduri, onde familiares e amigos se despedem da jovem professora. O enterro está previsto para as 17h desta quarta-feira (24). Nas redes sociais, mensagens de despedida e homenagens destacam a trajetória profissional, a dedicação à educação e a personalidade afetuosa de Luana. O caso segue sob investigação e permanece como um alerta sobre a importância de denunciar conflitos e buscar ajuda diante de sinais de relacionamentos prejudiciais.



