Cão sobrevive após acidente e não deixa tutora morta em rodovia

A noite da última sexta-feira, 19 de dezembro, terminou de forma inesperada e dolorosa para a família da engenheira Mariani Gambarini Vassoler, de 31 anos. Um acidente na rodovia ES-297, na zona rural de Mimoso do Sul, no sul do Espírito Santo, interrompeu a viagem que ela fazia rumo ao encontro de parentes para as festas de fim de ano. O trajeto, que costumava simbolizar reencontros e descanso, acabou marcado por uma despedida precoce.
Mariani morava em Sorocaba, no interior de São Paulo, desde o início do ano. Como muitos brasileiros nesta época, ela pegou a estrada à noite, por volta das 22h, aproveitando o recesso e planejando alguns dias ao lado da família. O clima, no entanto, não ajudava. A pista estava molhada, o que exige ainda mais atenção de quem dirige por rodovias de pista simples, comuns no interior capixaba.
Segundo informações da Polícia Militar, o carro conduzido por Mariani perdeu o controle em um trecho da estrada e rodou antes de atingir lateralmente um caminhão carregado com cimento, que vinha no sentido contrário. O impacto aconteceu principalmente no lado do passageiro do automóvel. As equipes do Samu foram acionadas rapidamente, mas a morte da engenheira foi constatada ainda no local.
O motorista do caminhão, um homem de 65 anos, relatou às autoridades que percebeu o carro rodando na pista segundos antes da colisão. Ele permaneceu no local, prestou os esclarecimentos necessários e realizou o teste do bafômetro, que não apontou consumo de álcool. Em seguida, foi levado à Delegacia Regional de Cachoeiro de Itapemirim para prestar depoimento e acabou liberado, já que não houve indícios de crime.
Entre todos os detalhes do acidente, um em especial tocou profundamente quem acompanhou o caso. O cachorro de Mariani, chamado Chopp, sobreviveu à colisão e permaneceu ao lado do veículo, próximo à tutora, até a chegada das autoridades. A cena chamou a atenção de motoristas que passavam pela rodovia e das próprias equipes de resgate, que relataram o comportamento calmo e fiel do animal.
Um tio da engenheira contou que Mariani tinha um vínculo muito forte com o cachorro, tratado como parte da família. Chopp costumava acompanhá-la em viagens e na rotina do dia a dia. Após os procedimentos da perícia, o animal foi acolhido pelos familiares e, apesar do susto, passa bem fisicamente.
O episódio reacende reflexões comuns neste período do ano, quando milhares de pessoas cruzam estradas para rever parentes e amigos. Condições climáticas adversas, cansaço e trechos mal iluminados exigem cuidados redobrados, especialmente à noite. Pequenos detalhes, muitas vezes, fazem toda a diferença.
Agora, as circunstâncias exatas do acidente serão investigadas pela Delegacia de Polícia de Mimoso do Sul. Para a família, amigos e colegas de profissão, fica a lembrança de Mariani como uma jovem engenheira dedicada, que tinha planos, sonhos e uma vida inteira pela frente.
Em meio à tristeza, a imagem de Chopp esperando por sua tutora resume, de forma silenciosa, a dimensão da perda. Um gesto simples, mas carregado de significado, que transformou uma tragédia em uma história de afeto, lealdade e saudade.



