Mulher morre após muro desabar com forte ventania na zona leste de SP; rajadas chegaram a 98 km/h

Uma mulher morreu na noite de quinta-feira, 11 de dezembro de 2025, após ser atingida pela queda de um muro provocado por fortes rajadas de vento na zona leste de São Paulo. O acidente aconteceu por volta das 19h30 na Rua Cristóvão Jaques, no bairro de Sapopemba, uma das áreas mais castigadas pelo temporal que atingiu a capital paulista durante toda a semana.
A vítima caminhava pela calçada quando o muro de aproximadamente quatro metros de altura, pertencente a um terreno baldio ao lado, desabou repentinamente sobre ela. Moradores relataram que a estrutura já apresentava sinais visíveis de desgaste, com rachaduras e inclinação, mas nunca havia passado por manutenção ou reforço. O peso dos tijolos e do concreto a imprensou completamente, causando ferimentos gravíssimos.
Equipes do Corpo de Bombeiros e do Samu foram acionadas imediatamente e encontraram a mulher ainda com sinais vitais sob os escombros. Após cerca de 30 minutos de trabalho com equipamentos hidráulicos, conseguiram retirá-la, porém ela já se encontrava em parada cardiorrespiratória. Os paramédicos realizaram manobras de reanimação no local e durante todo o trajeto até o Hospital Sapopemba.
Apesar de todos os esforços da equipe médica, que incluiu procedimentos de emergência e tentativa de estabilização hemodinâmica, a mulher não resistiu aos múltiplos traumatismos sofridos, especialmente na região craniana e torácica. O óbito foi constatado ainda na noite de quinta-feira. A identidade da vítima não foi divulgada de imediato, a pedido da família, que preferiu manter privacidade neste momento de luto.
A ventania responsável pela tragédia fez parte de uma frente fria que provocou rajadas de até 98 km/h em diversos pontos da capital, segundo medições do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE) da Prefeitura. Sapopemba, São Mateus e São Rafael foram algumas das regiões mais afetadas, com registros de quedas de árvores, destelhamento de casas e interrupção no fornecimento de energia elétrica.
O caso expõe novamente a vulnerabilidade de centenas de muros e construções antigas espalhados pelas periferias de São Paulo, muitas vezes erguidas sem critérios técnicos e abandonadas ao longo dos anos. Especialistas em engenharia alertam que rajadas acima de 70 km/h já são suficientes para comprometer estruturas sem manutenção adequada, sobretudo quando há infiltração de água e ausência de contrafortes ou amarrações corretas.
A Defesa Civil mantém a cidade em estado de atenção para ventos fortes até este sábado, com previsão de novas pancadas de chuva e rajadas moderadas a fortes. As autoridades reforçam o pedido para que a população evite transitar próximo a muros com sinais de instabilidade, árvores de grande porte e fiação exposta. A tragédia em Sapopemba serve como triste lembrete de que, em uma metrópole com milhões de construções precárias, a combinação de fenômenos climáticos extremos e falta de fiscalização pode custar vidas.



