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Quem era o idoso que morreu após ser ‘atropelado’ por cachorro no interior de SP

A história de Antônio Romão, de 72 anos, voltou a circular com força nos últimos dias e tem emocionado moradores de Piacatu (SP) e pessoas de várias partes do país. Antônio, conhecido carinhosamente como “Toim Santista” por causa do amor incondicional pelo Santos, faleceu no último sábado (6), quatro meses depois de um acidente inusitado que mudou completamente sua rotina.

O episódio aconteceu em 7 de agosto, e uma câmera de segurança acabou registrando tudo. As imagens mostram Antônio caminhando tranquilamente por uma rua da cidade, algo que fazia praticamente todos os dias, já que gostava de circular pelo bairro, conversar com vizinhos e oferecer pequenos favores. Em poucos segundos, dois cães aparecem correndo soltos. Um deles esbarra nas pernas do idoso, que perde o equilíbrio e cai no asfalto. O impacto o fez bater a cabeça, iniciando uma sequência de acontecimentos que ninguém imaginava.

Moradores correram para ajudá-lo, e Antônio foi levado inicialmente ao pronto-socorro da cidade, onde recebeu dez pontos na cabeça. Dali, seguiu para a Santa Casa de Araçatuba, onde ficou internado. Mesmo com todos os cuidados médicos, a situação se agravou. Os profissionais constataram que ele havia ficado tetraplégico, complicação que trouxe mudanças profundas na rotina e no bem-estar do idoso.

O g1 conversou com Maria Tereza Alves da Silva, de 47 anos, que conviveu com Antônio durante quase duas décadas. Ela conta que o conheceu por acaso, em um momento em que ele estava em uma situação frágil, vivendo sozinho, sem energia elétrica e com alimentação limitada. A partir daí, criou-se um laço que transformou a vida dos dois.

Maria Tereza conta que, na época, ela tinha um filho pequeno e Antônio, sempre disposto, começou a ajudá-la a buscar leite no posto de saúde. Em troca, ela o chamava para almoçar e jantar. Com o tempo, percebeu que ele precisava de muito mais que refeições ocasionais: precisava de companhia, amparo e estabilidade. Foi assim que ela buscou auxílio no Crass, garantindo apoio financeiro para abrigá-lo. Antônio se mudou para a casa onde vivia Maria, seu marido e o filho — hoje com 19 anos.

“Eu o acolhi como se fosse meu pai”, relembra Maria, ainda emocionada. “Ele fazia parte da família. Receber a notícia do falecimento foi muito difícil. Ele gostava de morar comigo.”

O que torna essa história ainda mais marcante é que Antônio era descrito como um idoso saudável, ativo e sempre disposto a ajudar. Andava pela cidade todos os dias e dificilmente recusava um pedido de ajuda. Doava sangue com frequência, hábito que mantinha desde jovem, e encantava quem o conhecia com sua simpatia e simplicidade.

Fanático pelo Santos, raramente tirava do rosto o sorriso ao falar do time. Por isso o apelido “Toim Santista” pegou e se espalhou pelas ruas de Piacatu, onde ele era querido e respeitado.

Após o acidente e meses de internação, Antônio não resistiu. Seu corpo foi sepultado no cemitério de Piacatu, no domingo (7), deixando saudade em quem conviveu com ele e uma lembrança carinhosa de alguém que, mesmo diante das dificuldades, cultivava generosidade e afeto por onde passava.

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