Morre Priscila Carla Pimentel, de 32 anos, diante dos filhos

A noite de terça-feira (9) terminou de forma triste para moradores de Cajueiro Seco, em Jaboatão dos Guararapes. A comunidade ainda tenta compreender o que aconteceu com Priscila Carla Pimentel, 32 anos, cuja história interrompeu-se de maneira inesperada após um episódio envolvendo seu ex-companheiro, de 34 anos. A notícia se espalhou rapidamente pelo bairro e, nas ruas estreitas da região, era possível encontrar vizinhos reunidos, conversando em voz baixa, tentando juntar as peças desse acontecimento que deixou todos abalados.
Segundo informações da Polícia Civil, o suspeito foi detido em flagrante e levado para prestar esclarecimentos. Dois dos filhos de Priscila estavam no local no momento do ocorrido, o que aumentou ainda mais a comoção de familiares e das pessoas próximas. Amigos relatam que as crianças ficaram extremamente abaladas e foram amparadas por parentes logo em seguida.
Priscila e o suspeito viveram juntos por cerca de 17 anos, período no qual tiveram cinco filhos. De acordo com a família, ela era mãe de seis crianças. Porém, há aproximadamente seis meses, a relação havia chegado ao fim. Parentes e vizinhos afirmam que o término veio após diversos episódios de conflito e dificuldades, que se tornaram mais frequentes com o passar do tempo. Ela chegou a buscar ajuda formal, registrando denúncias e solicitando uma medida de proteção, medida que reforça a tentativa de recomeçar em outro ambiente.
Na noite de terça-feira, Priscila estava na casa da filha adolescente, que está grávida e mora perto de familiares do suspeito. A jovem havia ajudado a mãe com uma rifa destinada a arrecadar fundos para que a irmã mais nova pudesse participar de uma formatura, e Priscila foi até o local para buscar o valor reunido. Segundo os parentes, esse seria o único motivo de ela ter ido até a residência da filha naquele horário.
Após o ocorrido, a filha de 14 anos correu até vizinhos pedindo ajuda. A Polícia Militar foi acionada rapidamente, mobilizando equipes do 6º Batalhão. O suspeito foi encontrado pouco depois, na BR-101, e detido sem resistência. Ele foi encaminhado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, onde passou a noite sob custódia. Na manhã seguinte, nesta quarta-feira (10), foi apresentado em audiência.
O caso reacendeu uma discussão que, infelizmente, precisa ser reforçada continuamente: a importância de fortalecer as medidas de proteção para mulheres que enfrentam situações de risco. Especialistas explicam que, apesar dos avanços, ainda há desafios no acompanhamento de famílias que já passaram por episódios de conflito. Em grupos de apoio e páginas comunitárias, muitas moradoras de Jaboatão manifestaram solidariedade à família e lembraram a necessidade de denunciar qualquer situação suspeita o mais cedo possível.
Em Pernambuco, o apoio às mulheres em situação de vulnerabilidade é oferecido por diversos canais oficiais. O telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, funciona 24 horas por dia, incluindo fins de semana e feriados. Em casos de emergência imediata, a recomendação é acionar o 190 para que uma equipe policial seja enviada ao local.
A comunidade de Cajueiro Seco segue unida, acolhendo os familiares e buscando forças para lidar com o que aconteceu. Entre conversas, abraços e manifestações de solidariedade, permanece o desejo coletivo de que histórias como a de Priscila encontrem respostas — e que outras mulheres consigam ajuda antes que uma situação chegue a esse ponto.



