Família de mulher que morreu após cair do 10º andar diz que suspeito foi ao velório com flores

A história de Maria Katiane Gomes da Silva, de apenas 25 anos, continua a repercutir entre familiares e amigos. Natural de Crateús, no Ceará, ela havia se mudado para São Paulo em busca de novas oportunidades. Morava com o namorado, Alex Santos, de 40 anos, no Morumbi, zona sul da capital paulista. No entanto, a trajetória que parecia promissora terminou de forma inesperada no dia 29 de novembro, quando Maria caiu do 10º andar do prédio onde vivia.
O que inicialmente foi registrado como uma morte decorrente de queda acabou despertando dúvidas nos investigadores. Com o avanço das apurações, o caso passou a ser tratado como feminicídio, conforme informou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo. A prisão temporária de Alex foi decretada nesta terça-feira (9), levantando novas perguntas sobre o comportamento do suspeito antes e depois da tragédia.
Um detalhe que chocou a família foi o fato de Alex ter comparecido ao velório e ao enterro da jovem, realizados no início do mês em Crateús. Segundo Antônia de Maria, tia de Maria Katiane, o homem permaneceu com os parentes durante todo o funeral, aparentando estar abalado. Sete dias após o sepultamento, voltou sozinho ao cemitério para deixar flores sobre o túmulo. Para os familiares, o gesto, que poderia ser visto como demonstração de luto, acabou se transformando em ponto de indignação.
“Ele mostrou para a gente um comportamento que agora entendemos como uma encenação”, comentou Antônia. A família afirma que, apesar de nunca ter ouvido relatos de conflitos sérios ou agressões por parte do suspeito, desconfia que a noite da morte não tenha sido o primeiro episódio de tensão entre o casal. Para eles, Maria pode ter sido pressionada a esconder possíveis desentendimentos ao longo dos últimos meses.
A jovem deixou uma filha de um relacionamento anterior, o que torna o caso ainda mais doloroso para as pessoas próximas. Antônia comenta que a família agora vive entre o luto e o temor. “Ele conhece muita gente da nossa família. Já esteve várias vezes no Ceará, visitou nossos parentes. Se for solto, teremos receio pela segurança de todos”, disse.
A investigação, conduzida pelo 89º Distrito Policial, no Jardim Taboão, segue em andamento. A equipe requisitou exames periciais e continua ouvindo testemunhas que possam ajudar a reconstruir os momentos que antecederam a queda. O prédio onde o casal vivia também está sendo analisado para esclarecer se houve briga, eventual empurrão ou qualquer outra circunstância que ajude a determinar o que realmente aconteceu naquela noite.
Enquanto as autoridades trabalham para reunir provas e finalizar o inquérito, a família de Maria tenta se reorganizar emocionalmente. Nas redes sociais, amigos têm compartilhado homenagens e mensagens carinhosas, lembrando da jovem como uma mulher alegre, dedicada à filha e muito querida na cidade natal. Em Crateús, o sentimento predominante é de tristeza e busca por respostas.
O caso, que ganhou destaque recente na imprensa, reforça discussões sobre políticas de proteção às mulheres e a importância de investigações rigorosas em situações que apresentam sinais de violência. Para a família, a esperança agora é que a verdade seja esclarecida e que a justiça seja feita de forma completa e transparente.



