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Ciclone afeta 2 milhões de pessoas em SP

A quarta-feira, 10 de dezembro, começou de forma atípica para quem vive na Grande São Paulo. Quem abriu a janela logo cedo percebeu que havia algo diferente no ar: ruas silenciosas, semáforos apagados e uma movimentação incomum de caminhões de manutenção. Após a passagem de um ciclone extratropical que trouxe ventos próximos de 100 km/h, a região metropolitana enfrenta um apagão que deixou milhões de moradores sem energia e, em alguns casos, sem comunicação.

A Enel, responsável pelo fornecimento elétrico, confirmou um número impressionante: mais de 2 milhões de clientes ficaram sem luz. O dado exato — 2.052.401 unidades afetadas — foi divulgado pela própria concessionária e reforçado pela Defesa Civil estadual. Apesar de soar exagerado à primeira vista, o tamanho da interrupção acompanha a intensidade da ventania registrada durante a madrugada e início da manhã.

Boa parte dos problemas foi causada pela queda de árvores e pelo impacto de objetos lançados contra a rede elétrica. Quem circulava por bairros como Pinheiros, Lapa ou Mooca pela manhã pôde ver equipes tentando remover troncos enormes que bloquearam ruas inteiras. O Corpo de Bombeiros registrou 514 chamados apenas relacionados à queda de árvores, um volume considerado elevado até para dias de tempestade.

Com esse cenário, a Enel mobilizou cerca de 1,3 mil equipes espalhadas pela capital e cidades vizinhas. A empresa afirma que a prioridade é restaurar o fornecimento em hospitais, centros comerciais essenciais e áreas densamente povoadas. Mesmo assim, a concessionária adiantou que alguns locais podem levar mais tempo para serem normalizados, já que há trechos da rede que precisam ser reconstruídos.

A Defesa Civil, que acompanha o fenômeno desde o início da semana, destacou uma mudança importante no comportamento do clima. Se a terça-feira foi marcada por chuvas volumosas, a quarta trouxe rajadas tão intensas que acenderam um alerta em toda a região. Em comunicado, o órgão explicou que ventos de até 96,3 km/h foram registrados em pontos da capital, o que contribuiu para o corte no fornecimento e para o fechamento de áreas públicas.

Entre os locais que tiveram suas atividades suspensas está o Parque de Ciência do Instituto Butantan, que decidiu interromper a visitação por segurança. Outras unidades de lazer e parques municipais também tiveram que fechar temporariamente, enquanto as equipes avaliavam os danos causados pela ventania.

O impacto não ficou restrito à capital. Cidades como Osasco, Botucatu, Ferraz de Vasconcelos e Guaratinguetá relataram quedas de árvores e interrupções na rede elétrica. Para muitos moradores, a falta de energia também trouxe dificuldades nas tarefas mais simples do dia, como carregar o celular ou acessar informações atualizadas.

Diante da situação, os alertas oficiais seguem sendo reforçados pelos canais públicos. A orientação é que a população evite circular por áreas com fios rompidos ou árvores instáveis e acompanhe as atualizações divulgadas ao longo do dia. Enquanto isso, milhões de paulistas aguardam a retomada da luz e torcem para que o pior já tenha passado.

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