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Luto em Carmo do Rio Claro: morre aos 38 anos o padre Júlio César Agripino, vítima de mal súbito

A cidade de Carmo do Rio Claro acordou mais silenciosa que de costume neste sábado de dezembro. As ruas que normalmente se enchem do barulho das conversas matinais pareciam conter a respiração, como se o próprio ar soubesse da notícia que corria de porta em porta: o padre Júlio César, aos 38 anos, havia partido na noite anterior, deixando um vazio que ninguém esperava tão cedo.

Ele foi encontrado desacordado na casa paroquial por volta das 19 horas de sexta-feira, quando já deveria estar celebrando a missa das 19h30. Quem o socorreu ainda tentou reanimá-lo, mas o jovem sacerdote não resistiu. O médico que o atendeu apontou um mal súbito, provavelmente um infarto fulminante. Em poucos minutos, a igreja matriz se encheu de fiéis atônitos, muitos chorando em silêncio, sem acreditar que aquele homem cheio de energia já não estava entre eles.

Júlio César Agripino chegou à paróquia de Nossa Senhora do Carmo em 2022 e, em apenas três anos, tornou-se uma presença indispensável. Não era daqueles padres que ficam apenas no altar: visitava doentes à noite, organizava cestas básicas, acompanhava jovens em crise, ouvia confissões até altas horas e ainda encontrava tempo para brincar com as crianças na praça depois da missa. Sua simplicidade desarmava qualquer distância; tratava o prefeito e o catador de recicláveis com o mesmo sorriso acolhedor.

Quem o conheceu de perto conta que ele tinha o dom raro de fazer cada pessoa se sentir única. Uma idosa da comunidade recordou que, certa vez, ele passou mais de uma hora sentado na calçada ao lado dela só para ouvir suas histórias antigas. Um adolescente que pensava em abandonar os estudos mudou de ideia depois de uma conversa franca no confessionário. Até os que não frequentavam a igreja admitiam: “O padre Júlio era diferente, ele acreditava na gente”.

Na manhã deste sábado, a igreja ficou pequena para tanto luto. O caixão foi colocado no centro do presbitério, cercado de flores brancas e de centenas de pessoas que se revezavam para dar o último adeus. Muitos traziam terços nas mãos, outros apenas olhavam para o rosto sereno do sacerdote e balançavam a cabeça, como quem ainda tenta entender. O bispo auxiliar de Guaxupé presidiu a missa de corpo presente e, com a voz embargada, disse que Carmo do Rio Claro perdia um pastor, mas o céu ganhava um intercessor jovem e fervoroso.

O cortejo até o cemitério de Guaxupé, cidade natal de padre Júlio, foi longo e comovente. Carros e motos seguiram o carro dos bombeiros por quase 80 quilômetros, buzinaço discreto marcando o ritmo da dor. Às margens da rodovia, moradores de cidades vizinhas paravam para fazer o sinal da cruz. Quando o corpo desceu à terra, sob um sol tímido de fim de tarde, uma salva de palmas ecoou entre os túmulos – gesto simples que resume o carinho de um povo que aprendeu a amar aquele padre de 38 anos como se ele tivesse vivido cem.

Carmo do Rio Claro segue em diante, mas levará tempo até que o sino da matriz volte a soar com a mesma leveza de antes. Ficará a saudade de um homem que escolheu gastar a vida pelos outros e que, mesmo tão cedo, cumpriu com intensidade a missão que abraçou. Para quem ficou, resta a certeza de que, em algum lugar, padre Júlio César continua sorrindo e intercedendo por essa comunidade que ele tanto amou.

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