Desaparecida há sete meses em Goiás, técnica de enfermagem é encontrada vivendo em mata no Paraná

O caso que mobilizou familiares, amigos e autoridades em Goiás ganhou um desfecho inesperado nesta semana. Uma técnica de enfermagem que estava desaparecida desde o dia 4 de maio, em Rio Verde (GO), foi localizada nesta quinta-feira, dia 4, vivendo em uma área de mata no interior de Prudentópolis, na região central do Paraná. A distância entre os dois municípios ultrapassa os 1.100 quilômetros, o que torna a situação ainda mais impressionante.
Durante semanas, o paradeiro da mulher era um mistério. Buscas foram realizadas, informações eram checadas diariamente, e a família mantinha a esperança de encontrá-la com vida. Esse fio de esperança, que nunca se rompeu, acabou se confirmando graças à atenção de moradores da zona rural de Prudentópolis.
Segundo o tenente Murilo Maltaca, do Corpo de Bombeiros, a mulher já vinha sendo vista na região havia alguns meses. Discreta, ela havia montado um pequeno abrigo improvisado com lona em meio à vegetação. Evitava qualquer tipo de aproximação direta, mas aceitava, à distância, alimentos e peças de roupa deixadas por moradores sensibilizados com a situação.
A rotina dela seguia um padrão silencioso. Aparecia rapidamente, pegava o que precisava e desaparecia novamente na mata. O comportamento chamou a atenção da comunidade, que passou a observar com mais cuidado, até acionar as autoridades.
Ao ser localizada, ficou claro que a técnica de enfermagem enfrenta transtornos psicológicos. Segundo o relato do tenente, a mulher acreditava estar sendo perseguida e vivia com medo constante. “Ela vivia fugindo, com receio de que fossem matar ela”, contou Maltaca em entrevista à Banda B.
Esse medo, alimentado pela própria mente, fazia com que ela permanecesse escondida, mesmo diante das dificuldades de viver ao relento. O frio, a alimentação irregular e a solidão faziam parte de um dia a dia duro, mas que, para ela, parecia ser a única forma de se sentir segura.
O reencontro com a realidade aconteceu de forma cuidadosa. As equipes de resgate agiram com paciência, respeitando o estado emocional da mulher, até conseguirem convencê-la a aceitar ajuda. Após o resgate, ela foi encaminhada para atendimento médico, onde passa por avaliação e cuidados especializados.
Para a família, a notícia trouxe alívio, emoção e muitas lágrimas. Foram mais de dois meses de angústia, noites mal dormidas e um misto de esperança e desespero. A expectativa agora é que ela possa se recuperar, receber acompanhamento adequado e, aos poucos, retomar a convivência com os familiares.
O caso também reacende um alerta importante sobre a saúde mental. Situações como essa mostram o quanto transtornos psicológicos podem levar pessoas a caminhos extremos, muitas vezes invisíveis aos olhos de quem está por perto. O apoio, o tratamento e a escuta se tornam fundamentais.
Em tempos de tantas notícias rápidas e, muitas vezes, pesadas, histórias como essa lembram que, por trás de cada desaparecimento, há uma vida em sofrimento, uma família em espera e uma rede de pessoas que, mesmo sem se conhecer, podem fazer a diferença — como fizeram os moradores de Prudentópolis.
Agora, longe da mata e mais próxima do cuidado, a técnica de enfermagem inicia um novo capítulo. Um recomeço que, desta vez, será acompanhado de perto por profissionais, familiares e todos que torceram por um final de esperança.



