Pai morre após saber da morte do filho durante briga em SC

O município de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina, amanheceu nesta segunda-feira, 1º de dezembro, envolto em um clima de forte comoção. A cidade, que costuma ter suas manhãs marcadas por rotina tranquila e conversas curtas nas padarias do centro, recebeu uma notícia difícil de ser compreendida: pai e filho morreram com poucas horas de diferença, em um episódio que abalou toda a comunidade.
Tudo começou na madrugada de domingo, dia 30, quando Claudecir da Cruz Casanova, de 29 anos — conhecido por amigos como Cile — perdeu a vida após uma briga. Segundo informações preliminares, ele sofreu um ferimento no pescoço durante o conflito. O Corpo de Bombeiros foi acionado rapidamente e prestou assistência, mas, mesmo com todos os esforços da equipe, Claudecir não resistiu.
A notícia já era dura o suficiente, mas o que se seguiu deixou a cidade ainda mais entristecida. Pouco tempo depois, ao ser informado sobre a morte do filho, o pai de Claudecir, Ademir Antônio Casanova, de 62 anos, conhecido como Tiquinho, passou mal. Ele estava às margens da rodovia SC-155 quando sofreu um mal súbito. Os bombeiros tentaram reanimá-lo, porém o homem também acabou falecendo.
Os dois moravam juntos no bairro Ipiranga, área residencial conhecida pela convivência simples e por vizinhos que se tratam quase como família. Por isso, a perda dupla foi sentida de maneira ampliada. Em poucas horas, moradores se reuniram espontaneamente para prestar apoio, oferecendo conforto e presença à família e aos amigos mais próximos.
A morte de Ademir Antônio chamou atenção justamente pela conexão com a notícia que recebera minutos antes. Vizinhos relatam que pai e filho tinham uma relação muito próxima, daquelas marcadas por companheirismo e por conversas cotidianas no portão de casa. O impacto emocional de saber da morte do jovem teria sido um choque intenso demais para o pai, que já tinha histórico de saúde frágil, segundo conhecidos da família.
O sepultamento de ambos foi marcado para as 9h desta segunda-feira, em cerimônia conjunta no próprio município. A escolha foi feita pela família como forma de homenagear o vínculo entre pai e filho, que, apesar da tragédia, permanecem unidos até no momento da despedida.
O clima de solidariedade tomou conta das redes sociais locais, onde mensagens de apoio se multiplicaram ao longo da noite. Amigos descreveram Cile como alguém alegre, sempre disposto a ajudar, enquanto Tiquinho era lembrado como um homem tranquilo, muito conhecido no bairro e querido por moradores de diversas idades.
Embora o caso envolvendo a morte de Claudecir ainda esteja sendo apurado, a pauta que dominou a cidade foi a fragilidade humana diante de situações de grande impacto emocional. Profissionais de saúde lembram que episódios de estresse extremo podem desencadear reações imediatas no organismo, especialmente em pessoas mais velhas.
A comunidade de Abelardo Luz, agora, busca se amparar mutuamente. Em momentos assim, o que permanece é a união entre vizinhos, familiares e amigos — e a certeza de que histórias marcadas por laços fortes merecem ser lembradas com respeito e dignidade.



