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Quem é Daniel Zezza, homem trans que ficou noivo da deputada Érika Hilton

Daniel Zezza é o homem trans que, na noite de 29 de novembro de 2025, colocou um anel no dedo de Erika Hilton e transformou um jantar comum em São Paulo em um dos momentos mais celebrados do ano nas redes brasileiras. Fotógrafo, diretor criativo e filmmaker, ele construiu uma carreira que mistura delicadeza estética com potência política, capturando corpos, afetos e resistências que raramente chegam às grandes galerias. Seu noivado com a primeira deputada federal trans do Brasil não foi apenas um gesto romântico; foi uma declaração pública de que o amor entre pessoas trans pode (e deve) ser ostentado, fotografado e comemorado sem pedir licença.

Paulistano de nascimento e de alma, Daniel transita com naturalidade entre estúdios de fotografia, sets de filmagem e os rolês culturais da cidade. Seu trabalho é reconhecido pela capacidade de transformar retratos em manifestos silenciosos: rostos marcados por hormônios, cicatrizes de mastectomia expostas com orgulho, olhares que dizem tudo o que a sociedade ainda tenta calar. No Instagram, onde reúne dezenas de milhares de seguidores, ele publica tanto ensaios comerciais quanto imagens íntimas do cotidiano, criando um espaço em que a transição deixa de ser segredo e vira matéria-prima de arte.

Sua história pessoal nunca ficou guardada em gavetas. Daniel fala abertamente sobre o processo de aceitação, sobre os anos em que tentou ser quem não era, sobre o dia em que decidiu que viveria inteiro ou não viveria. As cicatrizes da top surgery, para ele, não são apenas marcas no peito: são “um epílogo interessante” de uma narrativa antiga que terminou para dar lugar a outra, escrita com mais verdade. Essa transparência transforma cada postagem dele em aula prática de coragem para homens trans que ainda buscam referências fora dos padrões hegemônicos.

O romance com Erika Hilton começou em 2023, em encontros que misturavam ativismo, arte e noites longas de conversa em bares da Augusta e da Bela Cintra. Logo ficou claro que ali nascia algo maior que namoro: uma parceria de vida. Eles se tornaram presença constante um na timeline do outro – ele fotografando os bastidores das sessões no Congresso, ela aparecendo em ensaios sensuais e políticos que ele dirigia. Juntos, defendem pautas que se cruzam: combate à transfobia, direitos trabalhistas, saúde mental da população LGBTQIA+, fim da cultura do silenciamento.

O pedido de casamento foi planejado nos mínimos detalhes. Daniel entregou a Erika um livro encadernado com fotos dos dois anos de relacionamento. Página após página, lembranças de viagens, protestos, domingos preguiçosos e beijos roubados. Nas últimas folhas, a frase escrita à mão: “Quer casar comigo?”. Ela chorou, disse sim, postou o anel brilhando no dedo e escreveu que nunca havia sido tão surpreendida na vida. Em poucas horas, as alianças entrelaçadas dos dois viraram símbolo de que casais trans também têm direito a contos de fadas – com direito a jantar à luz de velas e tudo mais.

Fora dos holofotes do noivado, Daniel segue produzindo. Dirige clipes, fotografa campanhas de marcas que querem falar com o público jovem e diverso, organiza exposições que colocam corpos trans em pedestais antes reservados apenas a cisgêneros. Sua arte não grita; sussurra com força. Cada imagem é um convite para que a sociedade pare de desviar o olhar e comece, enfim, a enxergar.

Daniel Zezza e Erika Hilton formam hoje um dos casais mais visíveis e potentes da cena brasileira. O noivado deles não é só celebração privada: é ato político, é recado, é prova de que o amor resiste mesmo quando tudo ao redor tenta dizer o contrário. Enquanto ele continua clicando o mundo com sua lente generosa, os dois escrevem juntos um futuro em que pessoas trans não precisam mais provar que merecem ser amadas – apenas vivem, amam e ocupam o espaço que sempre foi seu por direito.

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