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O que se sabe sobre o incêndio que já deixa mais de 80 mortos

O bairro de Tai Po, em Hong Kong, viveu horas que dificilmente serão esquecidas. Desde a tarde de quarta-feira (26/11), quando um incêndio de grandes proporções tomou conta de um complexo habitacional, as autoridades locais têm trabalhado sem descanso. Passadas mais de 30 horas do início do fogo, a operação de resgate segue intensa, revelando um cenário que mistura tristeza, esperança e um esforço coletivo para salvar quem ainda aguarda socorro.

O incêndio começou por volta das 14h, no horário local — algo próximo das 3h da madrugada em Brasília — e rapidamente se espalhou pelos andaimes de bambu instalados ao redor do conjunto Wang Fuk Court, que estava em reforma. A escolha desse tipo de estrutura, bastante comum em obras na região, agora se tornou um dos principais pontos de investigação. Segundo informações divulgadas pelo chefe do Executivo de Hong Kong, John Lee, as chamas atingiram sete torres do complexo, que abrigava mais de 4 mil moradores.

Os números divulgados até o início desta quinta-feira (27/11) refletem a gravidade da situação. Já são 83 mortes confirmadas, incluindo um integrante do Corpo de Bombeiros que atuava no resgate. Além disso, 70 pessoas ficaram feridas e outras 279 seguem desaparecidas, o que mantém o clima de alerta na região. Mesmo com a confirmação de que o incêndio foi controlado, moradores relataram que ainda era possível ver pequenas labaredas surgindo em algumas janelas, especialmente nos andares superiores.

A operação de resgate tem contado com relatos emocionantes. Um dos momentos mais comentados pela imprensa internacional foi o salvamento de um sobrevivente no 16º andar, encontrado após horas preso entre a fumaça e os destroços. Cada vida retirada dali reacende um pouco de esperança para familiares e vizinhos que aguardam notícias.

Diante do cenário delicado, três executivos de uma das construtoras responsáveis pelas obras de reforma foram detidos pela polícia local. A suspeita inicial aponta que a combinação entre painel de isopor, tela verde usada para contenção de poeira e a estrutura de andaimes de bambu pode ter favorecido a propagação das chamas. As autoridades tratam o caso com prioridade máxima, já que as reformas eram parte fundamental do cotidiano daquelas famílias.

Com milhares de desabrigados, ginásios de escolas foram transformados em abrigos emergenciais. Muitas pessoas relatam ter perdido praticamente tudo, desde documentos até lembranças familiares que marcaram décadas de convivência no conjunto. Em resposta, o governo anunciou a criação de um fundo de apoio aos moradores afetados. Durante a coletiva, John Lee reforçou que a recuperação do complexo e a assistência às famílias serão tratadas como ações urgentes.

A comoção ultrapassou as fronteiras de Hong Kong. O presidente da China, Xi Jinping, enviou condolências às vítimas e destacou a dedicação das equipes de resgate, mencionando também o bombeiro que perdeu a vida durante a operação.

Ainda que as investigações estejam apenas no começo, o caso levanta debates importantes sobre segurança em obras e manutenção de edifícios, especialmente em áreas densamente povoadas. Enquanto isso, Tai Po tenta encontrar força para reconstruir não apenas residências, mas também a sensação de segurança que, por algumas horas, foi abalada por completo.

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