Morre o médico Rodrigo Cavalcanti de 45 anos em Salvador, corpo foi encontrado com sinais de violência

A manhã de domingo começou mais silenciosa do que o habitual em Salvador, especialmente para quem vive na região de Patamares. O bairro, conhecido por ser relativamente tranquilo, acabou entrando no noticiário após a descoberta da morte do médico psiquiatra Rodrigo Barros Cavalcanti, de 45 anos. O caso ocorreu no sábado, dia 22, na Rua Bicuíba, onde ele morava. A notícia pegou colegas, pacientes e amigos de surpresa, já que Rodrigo era bastante conhecido por seu trabalho dedicado no atendimento a crianças e adolescentes.
Segundo relatos iniciais da Polícia Civil, foram os próprios familiares que encontraram Rodrigo sem vida dentro de casa. Logo depois, agentes do 32º Batalhão da Polícia Militar chegaram ao local e confirmaram o ocorrido. A área foi imediatamente isolada até a chegada da equipe do Departamento de Polícia Técnica, que iniciou os procedimentos de perícia. Por enquanto, as autoridades ainda não divulgaram detalhes sobre possíveis responsáveis ou motivações. O caso segue sob investigação da Polícia Judiciária, que deverá analisar desde vestígios no local até depoimentos de pessoas próximas.
Falando com alguns moradores da região — relatos que circularam em grupos locais de mensagens e nas redes durante o fim de semana — percebe-se que havia uma mistura de perplexidade e preocupação. Patamares é um bairro com forte presença de famílias e profissionais liberais, e acontecimentos desse tipo costumam gerar debates sobre segurança, cuidado e até sobre saúde mental, considerando a profissão da vítima.
Rodrigo trabalhava no Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSI) de Conceição do Jacuípe, município a cerca de 90 km da capital baiana. Para muita gente da cidade, seu nome não era apenas o de um médico, mas o de alguém que tinha paciência, escuta ativa e disposição para lidar com realidades sensíveis. Vários pais que passaram pelo CAPSI comentaram nas redes que ele sempre tratava os jovens com acolhimento, uma característica que, segundo colegas, definia bem seu perfil humano.
A prefeitura de Conceição do Jacuípe divulgou uma nota pública lamentando a morte de Rodrigo e prestando solidariedade à família. O texto ressaltou a importância do trabalho que ele desempenhava e destacou que sua trajetória profissional deixava um legado de cuidado e empatia. Em tempos em que se discute tanto a importância da saúde mental — especialmente no pós-pandemia, com o aumento de casos de ansiedade entre jovens — a ausência de um profissional tão dedicado causa ainda mais impacto.
A investigação agora segue para tentar esclarecer o que aconteceu naquela manhã de sábado. Enquanto isso, o clima entre os colegas de trabalho é de consternação. Em conversas informais, alguns contam que Rodrigo estava envolvido em novos projetos no CAPSI e tinha planos de expandir ações de acolhimento no município. É sempre difícil entender interrupções tão inesperadas, e ainda mais complicado para quem convivia diariamente com ele.
Nos próximos dias, a expectativa é que a Polícia Civil avance na análise das circunstâncias e forneça respostas mais concretas. Para muitos, especialmente para aqueles que recebiam atendimento ou trabalhavam ao lado de Rodrigo, restam as lembranças de um profissional comprometido e sensível, cuja atuação fez diferença na vida de diversas famílias.



