Médica diz que tirou a vida de ex-marido por medo após denunciar oque ele fez com a filha

O domingo no povoado Capim, na zona rural de Arapiraca, começou como qualquer outro, com moradores seguindo sua rotina tranquila. Porém, poucas horas depois, a comunidade já comentava um episódio envolvendo dois profissionais conhecidos da área da saúde: a médica Nádya Tamires e seu ex-marido, o também médico Alan Carlos de Lima Cavalcante. O caso, registrado na tarde do dia 16, ganhou repercussão imediata após a suspeita prestar um longo e detalhado relato à imprensa.
Segundo sua versão, o disparo ocorreu em um momento que ela descreve como de medo intenso. De acordo com seu depoimento, o gesto teria sido uma reação instintiva, resultado de meses convivendo com receios e tensões acumuladas. Essa narrativa chamou atenção porque envolve um histórico complexo, que teria se estendido por aproximadamente um ano e meio.
Ela afirma que, depois de mais de duas décadas de casamento, procurou a polícia ao notar comportamentos que a fizeram desconfiar de que a filha do casal estaria pedindo ajuda. Segundo a médica, funcionárias da casa e até a escola teriam relatado atitudes preocupantes da criança. O inquérito aberto na época, de acordo com sua fala, resultou na conclusão de que havia indícios suficientes para que o caso fosse enviado à 1ª Vara de Arapiraca, por suspeita de estupr0.
Um ponto destacado por ela no depoimento foi a dificuldade para acesso de arquivos anexados à denúncia, enviados por link. A médica afirmou que tais materiais continham elementos importantes para o avanço do processo, mas que não teriam sido visualizados corretamente.
Paralelamente a isso, segundo seu relato, as ameaças começaram a surgir. A médica descreveu situações em que se sentiu pressionada e mencionou inclusive a participação indireta de um parente do ex-marido, citando que esse familiar teria aparecido nas proximidades do posto de saúde onde ela trabalhava. Após esse episódio, a Patrulha Maria da Penha chegou a ser acionada, mas o indivíduo teria apresentado um documento irregular e deixado o local antes da abordagem ser concluída.
No domingo do ocorrido, ela disse que se arrumava para ir ao salão quando percebeu o carro do ex-marido estacionado próximo à esquina onde mora. A presença dele naquela área, segundo ela, contrariaria a determinação judicial que estabelecia distância mínima entre ambos. A médica relatou ter interpretado a situação como uma possível emboscada, o que teria despertado nela um estado de alerta.
Ao descer do veículo, afirmou ter visto um movimento repentino vindo de dentro do carro de Alan. Sentindo-se vulnerável, relatou ter fechado os olhos antes de acionar a arma, da qual possui porte desde 2020 por viver em área rural. Ela insistiu que tudo teria acontecido de forma rápida, guiada pelo pânico do momento.
Após o disparo, moradores começaram a se aproximar. Temendo ser hostilizada, a médica conta que entrou no carro novamente e seguiu pela rodovia em direção a Maceió, onde pretendia encontrar seu advogado. Antes de chegar à capital, porém, foi abordada por uma equipe da Rotam, que a levou para prestar esclarecimentos.
Agora, a investigação passa por uma fase crucial: confrontar a narrativa apresentada com novas testemunhas, laudos e imagens. As autoridades buscam entender com precisão se houve legítima defesa ou se a médica responderá por homicídio. O caso segue sob análise, aguardando novos desdobramentos nas próximas semanas.



