Descanse em paz: querido advogado Marcelo Andrade tem sua vida ceifada

A tranquilidade da região central de Viçosa, na Zona da Mata mineira, foi interrompida na tarde de sexta-feira (14) por um episódio que mobilizou moradores, comerciantes e autoridades locais. Um advogado de 43 anos perdeu a vida após ser atingido por golpes de facão dentro do próprio escritório, fato que gerou grande comoção e abriu espaço para discussões sobre segurança, atendimento psicológico e a relação entre profissionais e clientes em situações de tensão. O caso, apurado pela Polícia Militar, resultou na prisão em flagrante de um cliente da vítima, de 53 anos, que foi contido por testemunhas até a chegada da corporação.
De acordo com as informações iniciais repassadas pelos militares, o chamado de emergência indicava que havia ocorrido um ataque contra o advogado durante o expediente. Ao chegarem ao endereço, os policiais encontraram a porta do escritório danificada, sugerindo que o local foi cenário de forte agitação antes da intervenção das testemunhas. O suspeito já estava imobilizado quando as equipes chegaram, o que facilitou a ação das autoridades e garantiu sua condução imediata à Delegacia de Polícia Civil da cidade.
Moradores da região relataram que ouviram pedidos de socorro vindos do interior do escritório e correram para tentar entender o que estava acontecendo. Alguns conseguiram intervir rapidamente, evitando que a situação se agravasse ainda mais. Embora o nome do suspeito não tenha sido divulgado oficialmente, a Polícia Militar adiantou que se tratava de um cliente que frequentava o escritório há algum tempo e que, segundo testemunhas, demonstrava sinais de alteração emocional nos dias anteriores ao ocorrido. Esses relatos serão analisados no inquérito, que deverá detalhar os fatores que antecederam o episódio.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado logo após a contenção do suspeito, mas a equipe encontrou o advogado já sem vida. A notícia rapidamente circulou pela cidade e alcançou colegas da área jurídica, que se reuniram em frente ao local para prestar solidariedade e manifestar indignação. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Viçosa divulgou nota lamentando profundamente a perda e reforçando a necessidade de medidas de proteção e acolhimento aos profissionais que atuam sob forte pressão. Para a entidade, tragédias como essa evidenciam fragilidades que precisam ser discutidas com urgência.
Nos bastidores da investigação, a Polícia Civil já trabalha para esclarecer quais circunstâncias motivaram o comportamento do suspeito. Informações preliminares apontam que ele teria aparecido no escritório alegando necessidade de resolver uma pendência jurídica, mas ainda não há confirmação oficial sobre o teor dessa conversa. A análise de documentos, depoimentos e gravações de câmeras da vizinhança vai ajudar a compreender o desenvolvimento dos fatos e a reconstrução da linha do tempo do episódio. A expectativa é que, nos próximos dias, o delegado responsável dê uma atualização detalhada do andamento do inquérito.
Enquanto isso, a comunidade de Viçosa se mobiliza em torno da família do advogado, bastante conhecida na cidade pela atuação profissional e por trabalhos voluntários ligados à orientação jurídica comunitária. Amigos e colegas ressaltam seu perfil acolhedor, sempre disposto a ajudar clientes em momentos de dificuldade, o que torna a perda ainda mais impactante. Nas redes sociais, mensagens de despedida e homenagens se multiplicam, reforçando a importância que ele tinha não apenas no meio jurídico, mas também no convívio social do município.
O caso reacende o debate sobre as condições de trabalho de profissionais que lidam diariamente com conflitos pessoais, disputas judiciais e tensões emocionais. Especialistas ouvidos por veículos da região destacam que situações extremas, apesar de raras, evidenciam a necessidade de ampliar a rede de apoio psicológico tanto para clientes quanto para advogados. Em meio à dor e ao luto, Viçosa volta seus olhares para a importância da prevenção, do diálogo e de políticas públicas dedicadas ao bem-estar emocional — um passo essencial para que casos como este não se repitam e para que todos possam exercer suas atividades com segurança e dignidade.



