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Morre o pastor João Nicolau Gonçalves, de 45 anos que ajudou vítimas do tornado

A manhã de sexta-feira (14) começou como qualquer outra na BR-277, no Paraná, mas terminou marcada por uma tragédia que sacudiu a comunidade religiosa da região. O pastor João Nicolau Gonçalves, de 45 anos, perdeu a vida após um grave acidente envolvendo três veículos. O trecho da rodovia ficou completamente interditado por algumas horas — quem passou por lá relatou trânsito parado, sirenes ecoando e uma sensação pesada no ar, daquelas que deixam o dia mais silencioso do que deveria.

João voltava de uma ação social em Rio Bonito do Iguaçu, cidade que ainda tenta se reerguer depois do tornado que atingiu o município no dia 7 de novembro. Segundo amigos próximos, ele havia passado a madrugada ajudando famílias que perderam praticamente tudo. “Ele não media esforços”, disse um voluntário local, lembrando que o pastor já planejava retornar no domingo, dia 16, para dar continuidade ao trabalho.

Natural de Joinville, em Santa Catarina, João tinha uma trajetória longa dentro da Igreja Adventista. Começou lá em 2004, ainda como auxiliar, passando por funções em cidades como Xanxerê, Indaial e a própria Joinville, onde deixou muitos amigos e histórias — alguns contam até de suas visitas inesperadas nas tardes de sábado, quando aparecia com um violão debaixo do braço e um sorriso que dispensava apresentações. Não era só líder; era presença.

Seu currículo ministerial era extenso. Atuou como evangelista, assumiu pastoreios distritais e, com o tempo, alcançou cargos de comando em áreas importantes, como Missão Global, Ministério Pessoal e Escola Sabatina. Em 2017, passou a integrar a Associação Sul Catarinense, onde ficou até o início de 2025. Ali, ganhou ainda mais respeito entre colegas pela disciplina e pelo estilo de liderança calmo, mas firme — daqueles que conseguem organizar uma equipe inteira com apenas duas frases, e ainda assim deixar todos motivados.

Em março de 2025, João chegou ao Paraná para começar um novo capítulo profissional, atuando no Ministério Pessoal da região central. Apesar dos poucos meses no estado, já era considerado uma peça importante no trabalho missionário local. Mestre em teologia pastoral, casado e pai de duas meninas, ele carregava consigo uma mistura rara de estudo, fé, simplicidade e senso de humor — quem conviveu sabe bem do que estamos falando.

A Associação Central Paranaense emitiu uma nota emocionada lamentando a perda. Segundo a instituição, “seu último ato em vida reflete o puro espírito de abnegação e serviço ao próximo”, mensagem que viralizou nas redes sociais entre fiéis e amigos. Muitos compartilharam fotos, lembranças, pequenos vídeos de cultos e até trechos de sermões que agora soam diferentes, mais fortes.

A morte do pastor João não comoveu apenas os membros da igreja. Moradores das cidades onde ele atuou enviaram mensagens de apoio à família, criando uma corrente de solidariedade que atravessou estados. No fim das contas, o que ecoa é o impacto de uma vida vivida com propósito — uma vida que, embora interrompida abruptamente, deixou rastros de fé, serviço e humanidade por onde passou.

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