Perigo em novembro: influência do La Niña e de ciclones extratropicais irá trazer novas tempestades

Quem esperava um novembro de sol forte e tardes abafadas vai precisar ter um pouco mais de paciência. A tão aguardada virada para o calor foi adiada. Segundo meteorologistas, o tempo frio e chuvoso deve continuar durante a segunda quinzena do mês, frustrando os planos de quem já sonhava com praia, piscina ou até aquele churrasco ao ar livre.
A confirmação veio nesta quinta-feira, 13 de novembro, com novos dados que apontam a influência do fenômeno La Niña e a formação de ciclones extratropicais — dois fatores que têm bagunçado o clima em praticamente todo o território nacional. O resultado é um cenário nada típico para esta época do ano: temperaturas baixas, chuvas intensas e sensação de um inverno prolongado.
O que explica o frio fora de hora
Em entrevista recente, o meteorologista Lucas Carvalho explicou que o comportamento do clima está diretamente ligado aos efeitos da La Niña. “Na segunda quinzena, os padrões mais típicos do fenômeno organizam a chuva mais ao norte, intensificando os canais de umidade e mantendo o Sul e o Sudeste com tempo instável e temperaturas amenas”, afirmou.
Esse fenômeno, que ocorre quando há um resfriamento das águas do Oceano Pacífico, tem sido responsável por chuvas irregulares, frentes frias fora de época e temporais severos em várias regiões. E, para complicar ainda mais, um novo ciclone extratropical deve atingir o Sul do país no domingo, trazendo ventos fortes e risco de tempestades.
Em São Paulo, a mudança será sentida rapidamente: os termômetros, que chegaram aos 30 °C nesta semana, devem despencar para 22 °C em poucos dias. No Sul, a previsão é de frio intenso, com rajadas de vento e possibilidade de queda de granizo em pontos isolados.
Alertas e preocupação com eventos extremos
O alerta meteorológico não é apenas sobre desconforto térmico. As autoridades estão em atenção máxima para evitar novos eventos extremos, como o tornado que atingiu o Paraná recentemente e causou destruição em várias cidades. Segundo os órgãos de monitoramento, a combinação entre ar quente e úmido com a passagem de frentes frias pode favorecer a formação de tempestades severas.
“Fenômenos meteorológicos de grande intensidade e magnitude são de extrema complexidade”, destacou o meteorologista Thiago Carvalho, reforçando a importância da ciência e do investimento em tecnologia para prever e minimizar danos. “São necessários estudos rigorosos e o aprimoramento de ferramentas de previsão, visando à antecipação e à amenização dos impactos sociais e econômicos.”
Um fim de mês fora do padrão
Nas redes sociais, o assunto virou pauta. Internautas brincam dizendo que “o verão desistiu do Brasil” ou que “o guarda-roupa de inverno vai ganhar mais uns dias de uso”. Mas, por trás do tom leve, há uma preocupação real: o clima brasileiro parece estar em transição, influenciado por padrões globais que tornam o tempo cada vez mais imprevisível.
Para os próximos dias, a recomendação é clara: atenção redobrada às previsões meteorológicas e cuidado com as mudanças bruscas de temperatura. Enquanto isso, o país se prepara para um fim de novembro atípico — com guarda-chuva em mãos, casaco nas costas e a esperança de que o calor, mais cedo ou mais tarde, finalmente dê as caras.



