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Júlia Eduarda que estava grávida é encontrada sem vida após dias desaparecida em PE

A notícia de que Júlia Eduarda Andrade dos Santos, de apenas 26 anos, foi encontrada morta após uma semana desaparecida, abalou profundamente o município de São Bento do Una, no Agreste de Pernambuco. Grávida de quatro meses e mãe de outras quatro crianças, ela saiu de casa no dia 5 de novembro, por volta das 7h20, para um encontro que deveria ser rápido, discreto e necessário: pegar o dinheiro do ultrassom com o pai do bebê. Era para voltar em poucos minutos. Nunca voltou.

Durante sete dias, moradores, familiares e voluntários percorreram estradas de terra, matas e pastos da zona rural. Vídeos circularam nas redes sociais mostrando grupos inteiros, de lanternas e faixas, cobrando urgência nas investigações. A cidade, que costuma ser silenciosa nesse período de fim de tarde, ficou marcada por buzinaços e caminhadas pedindo justiça — cenas que lembram outras mobilizações recentes no País, como as que ocorreram no caso de Amanda Albach, há alguns anos, em Santa Catarina.

O desfecho veio nesta quarta-feira (12). Não foi a polícia quem encontrou o corpo de Júlia, mas sim uma confissão. O irmão do principal suspeito — o pai da criança — foi levado para depor e acabou contando que o crime teria sido cometido pelo próprio irmão. Ele apontou o local onde o corpo havia sido deixado, numa área de difícil acesso. Júlia foi encontrada com golpes de arma branca, evidências que reforçam a brutalidade do ato.

A Polícia Civil de Pernambuco registrou o caso como feminicídio consumado e segue investigando, mas na prática, para a família, a dor já ultrapassou qualquer termo jurídico.

O tio de Júlia, Marcos Andrade, resumiu em palavras aquilo que muitos parentes de vítimas sentem, mas raramente conseguem expressar:
“Já tá com oito dias que a família tá desesperada. Se fosse sua filha, você ainda estaria aqui?”, questionou ele ao delegado, num misto de revolta e exaustão. Marcos afirma que tanto o suspeito quanto o irmão foram presos — ambos, segundo a família, teriam participado de alguma forma do desaparecimento.

A motivação do crime, segundo relatos dos próprios familiares, seria o fato de o pai do bebê ser casado e querer esconder a gravidez. Ele teria prometido o dinheiro do ultrassom, mas pediu silêncio absoluto. Queria que Júlia não comentasse nada com a esposa dele. Uma história triste, mas infelizmente não inédita, ecoando tantos outros casos em que a violência nasce do medo da exposição, do egoísmo e da tentativa de apagar uma responsabilidade que já existe.

“Além de matarem a Júlia, mataram a criança que ela tava gerando. Duas vidas foram tiradas”, desabafou o tio, com a voz embargada.

Após a descoberta do corpo, moradores voltaram a se reunir em frente à delegacia. Gritaram, choraram, rezaram. Gente simples, que talvez não conhecesse Júlia de perto, mas que se uniu pela sensação de que nenhuma mulher deveria desaparecer desse jeito, muito menos morrer assim — silenciosamente, em meio à vegetação, vítima de alguém em quem confiava.

Agora, a comunidade cobra o que sempre foi o mínimo: respostas rápidas, investigação firme e punição justa. Enquanto isso, quatro crianças perderam a mãe, um bebê perdeu a chance de nascer, e São Bento do Una perdeu mais uma vida para a violência que, ano após ano, insiste em rondar mulheres que só queriam viver sua rotina, criar seus filhos e seguir adiante.

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