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Tristeza: Filho tira a vida da mãe com golpes de pé de cabra

Um crime de violência brutal abalou a pequena cidade de Sapezal, no Mato Grosso, na manhã da última segunda-feira (10). Dione Martins Vincensi, de 71 anos, foi encontrada morta dentro de casa após ter sido golpeada diversas vezes com um pé de cabra — uma cena que deixou até os policiais mais experientes em choque. O principal suspeito, preso em flagrante, é o próprio filho da vítima, Marion Martins Vincensi, de 40 anos.

De acordo com informações da Polícia Civil, vizinhos ouviram gritos e acionaram as autoridades, que chegaram ao local poucos minutos depois. Marion ainda estava na residência, desorientado, e acabou sendo detido sem oferecer resistência. No depoimento inicial, apresentou falas desconexas e afirmou que “precisava proteger a mãe de inimigos invisíveis”, o que aumentou as suspeitas sobre seu estado mental.

Histórico psiquiátrico complica o caso

O crime, que já seria trágico por si só, tornou-se ainda mais delicado por envolver um histórico de transtornos mentais. A defesa do acusado alegou que Marion sofre de esquizofrenia e transtorno bipolar, condições que, segundo o advogado, vêm sendo tratadas há anos. O filho de Dione estaria em uso contínuo de medicamentos e teria passado por internações anteriores devido a surtos psicóticos.

Essas informações foram confirmadas por familiares próximos, que relataram episódios de comportamento agressivo e momentos de delírio, especialmente quando o tratamento era interrompido. A principal questão agora é: Marion tinha plena consciência do que fazia no momento do crime?

Decisão judicial e pedido de perícia

O caso caiu nas mãos do juiz Luiz Guilherme Carvalho Guimarães, da Vara Única de Sapezal. Ao analisar o flagrante, o magistrado decidiu converter a prisão em flagrante em prisão preventiva, garantindo que o suspeito continue detido até o esclarecimento dos fatos.

No entanto, atendendo a um pedido da defesa, o juiz também determinou a instauração de um incidente de insanidade mental, que é o procedimento legal usado quando há dúvida sobre a capacidade mental do réu. Isso significa que Marion será submetido a uma avaliação psiquiátrica detalhada, conduzida por peritos indicados pela Justiça.

O que acontece agora

O laudo pericial será crucial para o destino do acusado. Caso os especialistas concluam que Marion não tinha capacidade de compreender o caráter criminoso do ato, ele poderá ser considerado inimputável, ou seja, isento de culpa penal. Nessa hipótese, ao invés de cumprir pena em presídio comum, ele pode ser encaminhado a um Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico (HCTP), onde receberá tratamento.

Por outro lado, se a perícia indicar que ele tinha plena consciência do ato, responderá normalmente por homicídio qualificado, com pena que pode ultrapassar 20 anos de prisão.

Enquanto a cidade ainda tenta compreender tamanha tragédia, o caso reacende um debate necessário: até que ponto o sistema de saúde mental no Brasil é capaz de prevenir situações como essa? Segundo dados recentes do Ministério da Saúde, mais de 70% dos municípios brasileiros não têm estrutura adequada para acompanhamento contínuo de pacientes com transtornos mentais graves.

Entre a dor e a perplexidade, a história de Dione e Marion expõe não apenas um crime familiar, mas também uma falha coletiva — a de um sistema que muitas vezes só enxerga o sofrimento mental quando já é tarde demais.

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