Notícias

Identificadas mãe e filha que morreram em colisão com caminhão em MG

Os acidentes nas rodovias brasileiras continuam a escancarar uma realidade dura: dirigir por aqui ainda é um ato de coragem. São curvas fechadas, pistas estreitas, caminhões pesados dividindo espaço com carros pequenos — e um descuido, por menor que seja, pode acabar em tragédia.

Foi o que aconteceu na manhã desta terça-feira, 11 de novembro, na BR-265, entre Santana da Vargem e Boa Esperança, no Sul de Minas. Um trecho conhecido pelos motoristas da região justamente pelos riscos e pela falta de estrutura adequada. Ali, um acidente grave tirou a vida de Maria Inêz de Souza Silva, de 60 anos, e de sua filha Deusiane Souza Silva, de 35. As duas estavam em um carro que colidiu de frente com um caminhão que vinha no sentido contrário.

O impacto foi tão violento que mãe e filha morreram na hora. Quando o Corpo de Bombeiros chegou, já não havia mais o que fazer. Os ocupantes do caminhão tiveram apenas ferimentos leves e foram levados para atendimento médico. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) precisou interromper o trânsito por mais de uma hora até que os corpos fossem removidos e a pista, enfim, liberada.

Para quem mora na região, a notícia caiu como uma bomba. Maria Inêz e Deusiane eram bastante conhecidas em Boa Esperança, especialmente pela atuação na Paróquia Santa Rita, onde participavam de grupos religiosos e de ações solidárias. Nas redes sociais, a própria paróquia publicou uma homenagem emocionada, descrevendo as duas como “mulheres dedicadas, alegres e cheias de devoção”. A publicação logo se encheu de comentários de amigos e conhecidos. “É difícil acreditar”, escreveu uma fiel. “Elas sempre estavam sorrindo, ajudando nas missas e nos eventos da comunidade”, lembrou outro.

A comoção tomou conta da cidade. No velório, que aconteceu na manhã desta quarta-feira, dezenas de moradores compareceram para prestar as últimas homenagens. A cena era de dor, mas também de gratidão — gratidão por tudo o que mãe e filha representaram durante a vida.

Enquanto isso, o acidente reacendeu o debate sobre a segurança nas rodovias mineiras. O trecho da BR-265 é frequentemente citado por motoristas como perigoso. Há relatos de curvas mal sinalizadas, acostamentos estreitos e buracos constantes. Em 2023, segundo dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), foram mais de 200 ocorrências registradas na rodovia, muitas delas com vítimas fatais.

Especialistas em trânsito apontam que o problema vai além da imprudência dos condutores: falta manutenção, fiscalização e, principalmente, investimento. “Não é só sobre dirigir com cuidado. É sobre dar condições para que o motorista possa dirigir com segurança”, comentou o engenheiro civil e especialista em transportes João Batista Moura, em entrevista recente à Rádio Itatiaia.

Infelizmente, tragédias como essa continuam se repetindo. A cada cruz colocada à beira da estrada, uma história é interrompida — e uma comunidade, como a de Boa Esperança, fica marcada pela dor.

Enquanto amigos e familiares se despedem de Maria Inêz e Deusiane, fica o pedido que ecoa em tantas cidades do interior: que a prudência, o respeito e a responsabilidade no trânsito não sejam esquecidos. Porque, nas estradas brasileiras, a vida ainda é o bem mais frágil — e mais precioso — que se carrega.

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: