Mulher perde a vida da pior forma na frente do filho de 5 anos

Uma madrugada marcada por desespero, violência e perda abalou os moradores do bairro Residencial Jacaraípe, na Serra, Grande Vitória. Era por volta das 2h40 deste domingo (9) quando Rayana Bittencourt Rios, de 36 anos, foi brutalmente assassinada a facadas dentro da própria casa. O principal suspeito é o namorado dela, Luan dos Santos Braz, de 29 anos, que, segundo familiares, não aceitava o fim do relacionamento.
Rayana estava em casa com o filho mais novo, de apenas 5 anos, quando o ataque aconteceu. De acordo com relatos da filha mais velha, Khauany Bittencourt, o crime foi o desfecho trágico de um ciclo de ameaças que a mãe vinha sofrendo há meses. “Ele não aceitava que minha mãe queria largar dele. Ela sempre dizia pra gente que não queria mais nada com ele, mas ele ficava ameaçando. Falava que, se ela não ficasse com ele, não ia ficar com mais ninguém”, contou, emocionada, em entrevista ao G1.
A jovem relatou que, instantes antes do crime, recebeu uma mensagem desesperada da mãe. “Duas e quarenta da manhã, ela me ligou. Quando atendi, ela desligou na hora. Mandei umas interrogações e logo veio a mensagem: ‘Vem embora que Luan vai me matar’. Na hora, entrei em pânico. Já chamei um Uber, porque sabia do histórico agressivo dele”, relatou Khauany, que estava na casa do namorado quando recebeu o pedido de socorro.
Enquanto corria contra o tempo, a filha ainda avisou o motorista sobre o que estava acontecendo. “Expliquei pro motorista que minha mãe estava em perigo. Quando chegamos, ele não pensou duas vezes: correu comigo pra dentro da casa”, lembrou. O homem, que trabalha como motoboy de aplicativo, tentou intervir, mas acabou ferido com uma facada na barriga.
Ao chegar, Khauany encontrou uma cena desesperadora. A mãe já estava gravemente ferida. O suspeito fugiu logo em seguida, e até o fechamento desta reportagem ainda não havia sido localizado pela polícia. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Mulher (DHPM).
Amigos e vizinhos descreveram Rayana como uma mulher alegre, dedicada à família e muito próxima dos filhos. “Ela era guerreira, sempre batalhou pra criar as crianças. Nunca deixou faltar nada”, contou uma vizinha, que preferiu não se identificar.
O crime reacendeu o alerta para os altos índices de feminicídio no Espírito Santo. Segundo dados do Observatório da Violência de Gênero, mais de 60 mulheres foram mortas no estado somente neste ano — a maioria por companheiros ou ex-companheiros. Especialistas alertam que ameaças recorrentes e comportamentos possessivos são sinais graves de risco, e que procurar ajuda nas primeiras agressões pode salvar vidas.
Rayana, no entanto, parece ter feito o que pôde. Segundo familiares, ela chegou a procurar ajuda e comentar com pessoas próximas sobre o medo que sentia. “Minha mãe já falava que ele era perigoso. Só que ninguém acredita que vai acontecer com a gente, até acontecer”, desabafou a filha.
O corpo de Rayana foi levado para o Departamento Médico Legal (DML) de Vitória. O motoboy que tentou socorrer a vítima foi encaminhado ao hospital e segue em recuperação.
Enquanto a polícia continua as buscas por Luan dos Santos Braz, uma família inteira tenta entender como um relacionamento terminou em tragédia — e como o amor virou medo dentro de um lar que antes era cheio de vida e esperança.



