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Jovem de 14 anos que morreu em tornado no PR mandou mensagem para o pai minutos antes

A adolescente Julia Kwapis, de apenas 14 anos, foi uma das seis vítimas fatais do tornado devastador que atingiu o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, na noite da última sexta-feira, 7 de novembro. O fenômeno natural, classificado como um dos mais intensos já registrados no estado, deixou um cenário de destruição quase total na cidade, que teve cerca de 80% de sua área comprometida. Entre as muitas histórias marcadas pela tragédia, a de Julia comoveu o país ao revelar a última mensagem enviada por ela antes da tempestade.

Naquele fim de tarde, Julia estava na casa de uma amiga quando o tempo começou a mudar repentinamente. O céu escureceu e ventos fortíssimos se aproximaram em questão de minutos. Segundo familiares, a adolescente foi arrastada pela força do vento durante o auge da tempestade e, infelizmente, não resistiu aos ferimentos. A mãe da jovem contou que a família passou a noite inteira sem notícias, temendo o pior, até receber a confirmação do falecimento na manhã seguinte. A comoção tomou conta de toda a comunidade, que ainda tenta entender o tamanho da destruição provocada pelo tornado.

A última conversa entre Julia e o pai, Roberto Kwapis, foi sobre um momento de alegria que a família aguardava com expectativa: a Crisma da adolescente, marcada para o dia seguinte, 8 de novembro. Por volta das 16h45, pouco mais de uma hora antes da tragédia, Julia enviou um áudio ao pai, falando sobre a preparação para a cerimônia e a possível comemoração após o evento religioso. “Aí a madrinha perguntou se a gente vai fazer… vai querer fazer churrasco amanhã ou algo do tipo. Fazer alguma coisa depois da Crisma, ela perguntou”, dizia a jovem, em tom leve e alegre. Essa gravação, divulgada pela RPC, se tornou um símbolo da vida interrompida precocemente por um desastre natural que pegou todos de surpresa.

O pai da adolescente contou que a família estava organizando um churrasco para celebrar o sacramento, que representaria um importante marco na vida de Julia. “Ela estava muito feliz, animada com a cerimônia. Foi a última mensagem que trocamos”, relatou, emocionado. O áudio, segundo ele, é agora uma lembrança dolorosa, mas também um testemunho do amor e da fé que a filha carregava. “Ela se foi com o coração puro e cheio de sonhos”, completou.

O tornado que tirou a vida de Julia e de outras cinco pessoas também deixou 775 feridos e mais de mil desabrigados, segundo a Defesa Civil do Paraná. Casas foram completamente destruídas, veículos arrastados e árvores arrancadas pela raiz. A força dos ventos, estimada em 250 km/h, transformou a pequena cidade em um verdadeiro campo de ruínas.

Mesmo diante da dor e da destruição, a comunidade de Rio Bonito do Iguaçu tenta se reerguer. Igrejas e escolas locais abriram as portas para abrigar famílias desamparadas, enquanto voluntários e equipes de resgate continuam prestando assistência. A lembrança de Julia, símbolo da juventude e da esperança, permanece viva como um pedido silencioso por força e reconstrução, em meio aos escombros deixados pela fúria dos ventos.

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