Tornado devasta Rio Bonito do Iguaçu (PR): 80% da cidade destruída e 5 mortos em ‘cenário de guerra’

Na tarde de 7 de novembro de 2025, por volta das 17h30, a pequena cidade de Rio Bonito do Iguaçu, no centro-sul do Paraná, foi surpreendida por um tornado de proporções catastróficas. Classificado como uma supercélula com ventos que podem ter ultrapassado 250 km/h, o fenômeno destruiu cerca de 80% da área urbana em poucos minutos. Casas foram destelhadas, estruturas inteiras colapsaram, postes e árvores foram arrancados do solo, e veículos foram arremessados como brinquedos. O que era uma tarde comum transformou-se em um cenário de guerra, conforme descrito pelas autoridades locais e pelo próprio governo do estado.
A Defesa Civil do Paraná confirmou que aproximadamente 80% dos imóveis da cidade, que abriga cerca de 14 mil habitantes, sofreram danos graves ou foram completamente destruídos. Ruas inteiras desapareceram sob escombros, e o fornecimento de energia elétrica foi interrompido em toda a região. Além de Rio Bonito do Iguaçu, cidades vizinhas como Candói e Porto Barreiro também registraram prejuízos, embora em escala menor. O tornado, associado à passagem de uma frente fria e à formação de um ciclone extratropical, foi um evento extremo e raro para a região, mas previsto em parte pelo sistema meteorológico.
O saldo humano da tragédia é devastador: pelo menos cinco mortes foram confirmadas até o momento, com o número possivelmente aumentando à medida que as buscas avançam. Mais de 430 pessoas ficaram feridas, sendo cerca de 130 em estado grave. Entre os casos mais dramáticos está o desabamento de um supermercado, onde crianças ficaram soterradas sob toneladas de concreto e aço. Equipes de resgate trabalharam durante toda a noite com cães farejadores e máquinas pesadas, em uma corrida contra o tempo para salvar vidas. Muitos feridos foram encaminhados a hospitais de cidades próximas, como Guarapuava.
O governador do Paraná, Ratinho Junior, sobrevoou a área na manhã de sábado, 8 de novembro, e declarou estado de calamidade pública. Forças de segurança, bombeiros, Defesa Civil e voluntários foram mobilizados em uma operação de grande escala. Estradas foram bloqueadas para dar passagem a ambulâncias e caminhões de ajuda humanitária. A falta de energia e comunicação dificultou o trabalho inicial, mas redes de solidariedade começaram a se formar, com doações de alimentos, água e roupas chegando de municípios vizinhos. O governo estadual prometeu apoio imediato às famílias desabrigadas.
Um ponto de controvérsia emergiu em meio à tragédia: o Simepar, sistema de monitoramento meteorológico do Paraná, emitiu alertas para chuvas fortes e ventos intensos, mas não previu a formação de um tornado com tamanha violência. Moradores relatam que não houve sirenes ou mensagens de evacuação preventiva, o que poderia ter reduzido o número de vítimas. Especialistas em meteorologia explicam que tornados são fenômenos de difícil previsão com precisão local, especialmente em regiões como o sul do Brasil, onde são raros, mas o episódio reacende o debate sobre a necessidade de investimentos em tecnologia de alerta precoce.
Imagens aéreas e vídeos gravados por moradores circulam nas redes sociais e na imprensa, mostrando a extensão da destruição: bairros inteiros reduzidos a pilhas de madeira e tijolos, carros empilhados uns sobre os outros, e pessoas caminhando atordoadas entre os destroços. A comparação com um “cenário de guerra” não é exagero — faltam apenas os tiros. Escolas, igrejas e o próprio prédio da prefeitura foram severamente danificados, o que compromete a retomada da normalidade nos próximos meses. A reconstrução será longa e custosa.
Até o momento, o governo federal não anunciou medidas específicas de apoio, mas a tragédia já mobiliza a solidariedade nacional. Rio Bonito do Iguaçu, uma cidade conhecida pela agricultura familiar e pela tranquilidade do interior, agora carrega as marcas de um dos piores desastres naturais da história recente do Paraná. A população, ainda em choque, começa a enterrar seus mortos e a contar os sobreviventes. A força da natureza lembrou, mais uma vez, que nenhum lugar está imune — e que a prevenção, quando possível, pode fazer toda a diferença.



