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Tempestade supercélula: oque é o fenômeno que causou mortes no PR

O que era para ser apenas mais uma noite chuvosa no interior do Paraná se transformou em uma das maiores tragédias climáticas da história recente do estado. Na sexta-feira (7), um tornado de categoria EF3, classificado como “extremamente severo”, atingiu em cheio o município de Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do estado, deixando a cidade praticamente irreconhecível.

No dia seguinte, 8 de novembro, o tamanho da catástrofe veio à tona: quatro mortos, mais de 430 feridos e um cenário que as autoridades descrevem como de “guerra”. Casas destelhadas, postes arrancados, carros revirados, famílias inteiras desabrigadas — uma paisagem de destruição que emocionou até os socorristas mais experientes.

O Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) confirmou que o fenômeno foi causado por uma supercélula — um tipo de tempestade de altíssima rotação que pode gerar tornados com ventos devastadores. O meteorologista Samuel Braun, em entrevista concedida na manhã de sábado, afirmou que os ventos chegaram a 250 km/h, força suficiente para arrancar telhados e arremessar veículos por dezenas de metros.

“Essa intensidade explica o tamanho da destruição. O tornado foi rápido, mas extremamente violento”, declarou Braun, destacando que fenômenos desse tipo são raros na região, embora estejam se tornando mais frequentes devido às mudanças climáticas globais.

“Cenário de guerra”, dizem bombeiros

No meio dos destroços, as equipes de resgate se revezam em jornadas de mais de 12 horas. O coronel Jonas Emmanuel Benghi Pinto, subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros, descreveu o impacto em termos duros: “Nossas equipes disseram que encontraram um cenário de guerra. Há famílias inteiras soterradas e bairros inteiros que simplesmente desapareceram do mapa.”

As buscas por sobreviventes seguem intensas. Mais de 100 bombeiros e voluntários vindos de outras cidades, incluindo Curitiba e Ponta Grossa, trabalham lado a lado com a Defesa Civil. Cães farejadores e drones com câmeras térmicas estão sendo usados para localizar possíveis vítimas sob os escombros.

Dos feridos, pelo menos 30 estão em estado grave, segundo o hospital municipal. Um hospital de campanha foi instalado às pressas em um ginásio para atender os moradores, já que o posto de saúde local ficou parcialmente destruído. “Nunca vi nada parecido. Foi questão de segundos e tudo acabou”, contou uma moradora, emocionada, que perdeu a casa e ainda não conseguiu localizar o marido.

Governo em ação e alerta de novos temporais

O governador Ratinho Junior (PSD) declarou que as forças de segurança estão totalmente mobilizadas e que o estado vai disponibilizar todos os recursos necessários para reconstruir o município. “Nosso foco agora é salvar vidas e dar suporte às famílias atingidas”, afirmou.

A Defesa Civil já havia emitido alertas vermelhos na véspera, indicando risco extremo devido a um ciclone extratropical que se deslocava pelo Sul do país. O fenômeno também provocou ventos fortes e alagamentos em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.

Enquanto as operações continuam, o Paraná tenta lidar com o impacto emocional e material dessa tragédia. Em meio ao caos, surgem histórias de solidariedade: vizinhos resgatando vizinhos, comerciantes doando alimentos, e equipes médicas trabalhando sem descanso.

Rio Bonito do Iguaçu, uma cidade de cerca de 14 mil habitantes, agora luta para se reerguer — um passo de cada vez — entre a dor, a esperança e a força de quem sobreviveu a uma noite que jamais será esquecida.

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