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Prefeito de Rio Bonito do Iguaçu não segura as lágrimas e desabafo comove o Brasil

O silêncio que domina Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, é cortado apenas pelo barulho pesado das retroescavadeiras e, vez ou outra, pelo choro contido de quem perdeu tudo. Na última sexta-feira, 7 de novembro, o município foi praticamente varrido do mapa por um tornado de categoria EF3, com ventos de até 250 km/h. Em poucos minutos, casas, escolas e comércios viraram pilhas de destroços.

Segundo a Defesa Civil, cerca de 90% da cidade foi destruída. Ruas antes movimentadas agora estão cobertas por entulho, fios elétricos e pedaços de telhados retorcidos. “A cidade vai precisar nascer de novo”, desabafou o prefeito, com os olhos marejados, durante uma entrevista transmitida por uma rádio local. Visivelmente abalado, ele disse que sonhava em ver Rio Bonito crescendo, não sendo reconstruída após uma tragédia.

A força do tornado deixou um rastro de seis mortes confirmadas: Julia Kwapis (14 anos), Adriane Maria de Moura (47), Jose Neri Geremias (53), Jurandir Nogueira Ferreira (49), Claudino Paulino Risse (57) e Jose Gieteski (83). Todas pessoas conhecidas na comunidade, o que torna o luto ainda mais doloroso. “Aqui, todo mundo se conhece. É como perder um pedaço da própria família”, comentou uma moradora que agora vive em um abrigo improvisado.

Além das vítimas fatais, mais de 750 pessoas ficaram feridas e mil estão desalojadas, segundo o levantamento mais recente. Escolas e ginásios viraram abrigos temporários, montados com a ajuda de cidades vizinhas. Voluntários chegam o tempo todo trazendo roupas, mantimentos e, principalmente, palavras de conforto.

Diante da gravidade da situação, o governador Ratinho Junior decretou luto oficial de três dias em todo o estado e estado de calamidade pública em Rio Bonito do Iguaçu. A medida permite a liberação de recursos emergenciais e o envio imediato de equipes de resgate e reconstrução. “O Paraná está de luto, mas também está unido para ajudar cada família a se reerguer”, afirmou o governador em coletiva.

De Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice Geraldo Alckmin enviaram mensagens de solidariedade. Ambos confirmaram o envio de ministros e técnicos da Defesa Civil Nacional para apoiar a cidade nos próximos dias. O ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional deve visitar o local já neste fim de semana.

O cenário é de guerra: tratores removem escombros enquanto famílias buscam entre os destroços lembranças que restaram. Uma boneca suja de barro, um álbum de fotos, uma panela amassada — pequenos fragmentos de uma vida que, de repente, mudou de forma brutal.

Apesar do sofrimento, há também uma força coletiva que começa a surgir. Grupos de voluntários organizam mutirões de limpeza, igrejas abrem as portas para acolher famílias e comerciantes de outras cidades fazem campanhas de arrecadação. “Vamos reconstruir Rio Bonito. Pode demorar, mas a gente vai conseguir”, disse um agricultor, com o rosto coberto de poeira e esperança nos olhos.

Entre o choro, o barulho das máquinas e o cheiro de terra molhada, uma certeza ecoa: Rio Bonito do Iguaçu pode ter sido destruída pelo vento, mas não foi derrubada pela dor.

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