6 mortes e mais de 750 pessoas feridas por ciclone no PR

A tragédia que atingiu o Paraná segue revelando a dimensão de sua devastação. Após um dia inteiro de buscas intensas entre os escombros, o Governo do Estado confirmou, na tarde deste sábado, 8 de novembro, os nomes das seis vítimas fatais do tornado que assolou Rio Bonito do Iguaçu e outras regiões no Centro-Sul paranaense. O fenômeno, classificado como EF3, varreu a cidade na sexta-feira, provocando destruição quase total e deixando centenas de feridos. O governo decretou luto oficial de três dias, em solidariedade às famílias atingidas e em memória das vidas perdidas.
As vítimas identificadas pela Polícia Científica do Paraná são: José Neri Geremias, de 53 anos, morador de Guarapuava; e, de Rio Bonito do Iguaçu, Jurandir Nogueira Ferreira (49), Claudino Paulino Risse (57), Adriane Maria de Moura (47), José Gieteski (83) e Julia Kwapis, adolescente de apenas 14 anos. A confirmação dos nomes foi feita após longas horas de reconhecimento e trabalho pericial. De acordo com a Defesa Civil, o número de feridos já ultrapassa 750 e mais de mil moradores estão desabrigados, sem energia elétrica, água potável e abrigados em ginásios improvisados.
Entre todas as vítimas, a história de Julia Kwapis comoveu o estado. A adolescente, que seria crismada neste fim de semana, estava na casa de uma amiga quando o tornado atingiu o bairro. Segundo familiares, ela foi arrastada pelas rajadas de vento e não conseguiu se proteger. Em entrevista à RPC, a mãe da jovem contou, emocionada, que a família passou a noite inteira sem notícias e que, na manhã seguinte, souberam da tragédia. “Nós estávamos preparando um churrasco para celebrar a Crisma dela. Nunca imaginei que aquele seria nosso último dia juntos”, relatou, entre lágrimas. A morte precoce da menina simboliza o tamanho da dor e da perda vivida pela população.
O cenário em Rio Bonito do Iguaçu é descrito pelas autoridades como “uma zona de guerra”. O subcomandante-geral do Corpo de Bombeiros afirmou que cerca de 90% da cidade foi destruída, com bairros inteiros arrasados. Casas desabaram, veículos foram arremessados e árvores arrancadas pela raiz. Muitos moradores perderam tudo o que tinham, restando apenas o desejo de sobreviver e reconstruir. Diante da destruição, o governador Ratinho Junior decretou estado de calamidade pública e viajou à cidade nas primeiras horas da manhã de sábado para acompanhar pessoalmente as operações de resgate e reconstrução.
Equipes do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), com o auxílio de cães farejadores, continuam trabalhando entre os escombros em busca de desaparecidos. Os feridos estão sendo atendidos em hospitais de campanha montados no local e em unidades de saúde das cidades vizinhas, como Laranjeiras do Sul e Guarapuava. O governo federal também enviou reforços, incluindo médicos, psicólogos e engenheiros civis, para auxiliar na avaliação dos danos e no apoio humanitário às famílias desabrigadas.
Mesmo diante do caos, a solidariedade tem se destacado como o maior símbolo dessa tragédia. Caminhões carregados com mantimentos, cobertores e produtos de higiene chegam constantemente à região, vindos de várias partes do estado. Igrejas, escolas e voluntários unem forças para acolher quem perdeu tudo. Rio Bonito do Iguaçu agora enfrenta o maior desafio de sua história: renascer das ruínas. Em meio às lágrimas e ao sofrimento, o povo paranaense demonstra que, apesar dos ventos impiedosos, a esperança continua de pé.



