Após anos, verdadeiro motivo de Suzane von Richthofen mandar tirar a vida dos pais vem à tona

O caso Suzane von Richthofen continua sendo um dos crimes mais comentados do Brasil, mesmo mais de vinte anos depois. O episódio, que chocou o país em 2002, volta e meia reaparece nas manchetes — e, desta vez, ganhou novo destaque após declarações recentes do jornalista e escritor Ulisses Campbell, autor dos livros Suzane: Assassina e Manipuladora e da série documental Tremembé, que vem viralizando nas redes sociais e nas plataformas de streaming.
Na última terça-feira, 4 de novembro, Campbell participou do programa Jornal dos Famosos, exibido pela LeoDias TV, onde compartilhou novos detalhes sobre o caso. Conhecido por suas investigações no universo do true crime, o autor comentou aspectos que, segundo ele, vão além da motivação financeira já amplamente debatida ao longo dos anos.
Durante a entrevista, o pesquisador relembrou uma fala de Suzane concedida a Gugu Liberato (1959–2019) — uma das entrevistas mais comentadas da televisão brasileira. “A Suzane matou por dinheiro”, destacou Campbell, citando as próprias palavras da entrevistada, registradas na época. Mas o jornalista fez questão de ressaltar que, embora o interesse financeiro tenha sido central, havia outro componente psicológico por trás da tragédia.
Uma motivação que vai além do dinheiro
Ulisses Campbell afirmou ter encontrado, nos laudos criminológicos de Suzane von Richthofen, pistas que indicam uma segunda motivação: o desejo de liberdade. Segundo ele, durante uma sessão com um psicólogo, Suzane foi questionada sobre como lidava com o crime cometido. A resposta, reproduzida por Campbell, impressionou até os especialistas que acompanharam o caso.
“Eu era um pássaro preso na gaiola e o Daniel [Cravinhos] era um pássaro livre. Nós nos conhecemos e, para eu viver na liberdade, tive que matar meus pais”, teria dito Suzane, conforme o relato do autor. A frase, que mistura metáfora e frieza, sugere uma tentativa de justificar o assassinato como um ato de libertação, e não apenas um crime movido por ganância.
Campbell analisou o trecho dizendo que, ao longo das investigações e dos exames psicológicos, foi possível perceber uma forte influência emocional de Daniel Cravinhos sobre Suzane. “Ela queria romper com o controle familiar e, ao mesmo tempo, viver um amor que os pais nunca aceitariam. Essa mistura de sentimentos acabou criando um cenário explosivo”, explicou o escritor.
A força de um caso que nunca morre
O crime cometido em 2002 resultou na morte brutal de Manfred e Marísia von Richthofen, pais de Suzane, dentro da própria casa da família, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A frieza e o planejamento por trás do assassinato deixaram o país em choque. Desde então, o caso tem inspirado livros, filmes e séries — entre eles, o longa A Menina que Matou os Pais e o documentário Suzane, o Assassinato dos Richthofen.
A série Tremembé, de Campbell, retoma essa e outras histórias envolvendo presidiários famosos, explorando o lado psicológico e humano de quem cometeu crimes de grande repercussão. O sucesso da produção mostra que, mesmo após duas décadas, o público continua intrigado por entender o que leva alguém a atravessar a fronteira entre o amor e o ódio dentro da própria família.
Ulisses Campbell encerrou sua entrevista lembrando que, por trás do crime, há uma complexidade que vai muito além do que os olhos veem. “Suzane não matou só por dinheiro. Matou também para se libertar — e, ironicamente, acabou se tornando prisioneira dessa escolha pelo resto da vida.”



