Mãe de menino autista de 11 anos morto pelo próprio pai se pronuncia e desabafa sobre o caso

O caso do menino Arthur Davi Velasquez, de apenas 11 anos, continua comovendo o país. O garoto, que era autista e tinha deficiência visual, foi assassinado pelo próprio pai, Davi Piazza Pinto, no último sábado (1º), em João Pessoa (PB). Dois dias após o crime, durante o sepultamento da criança, a mãe, Aline Lorena, fez um desabafo emocionado que expôs toda a dor e a incredulidade diante da tragédia que destruiu sua família.
Em entrevista à TV Cabo Branco, Aline contou que havia preparado tudo com carinho para a viagem do filho com o pai, acreditando que seria uma oportunidade de reaproximação entre os dois. “Arrumei a roupinha dele, falei: ‘ele tem o fonezinho abafador, porque é uma criança autista, pode se irritar no caminho, mas me avisa’. Eu jamais imaginei que ele não voltaria”, disse, entre lágrimas.
Aline relatou que confiou no pai da criança, mesmo após anos de pouco contato entre eles. Davi, que mora em Florianópolis (SC), teria demonstrado vontade de retomar o vínculo com o filho e chegou a sugerir que o menino fosse morar com ele. Segundo a mãe, nada indicava que ele pudesse ter qualquer comportamento violento.
No entanto, o pior aconteceu poucas horas depois de Davi buscar o filho. De acordo com o Instituto de Medicina Legal (IML), Arthur morreu por asfixia por sufocamento dentro do apartamento do pai. Após o crime, ele colocou o corpo da criança em um carro de aplicativo e o enterrou em uma cova rasa. O local foi encontrado após o próprio assassino confessar o crime à ex-esposa e indicar onde havia deixado o corpo.
“Não há justificativa. Não passava pela minha cabeça que ele pudesse fazer algo assim. Eu só quero justiça pelo meu filho”, desabafou Aline, durante o enterro no Cemitério do Cristo Redentor, em João Pessoa. Amigos, parentes e vizinhos compareceram à cerimônia para prestar solidariedade à mãe, que foi amparada por familiares durante todo o tempo.
Arthur era descrito como uma criança doce, inteligente e muito especial. Nascido prematuro, com apenas cinco meses de gestação e 800 gramas, ele lutou bravamente para sobreviver e se desenvolver. “Ele era um guerreiro. Lutou desde o primeiro dia de vida. Eu lutei junto com ele. Agora, só me resta pedir que a Justiça faça o que é certo”, afirmou a mãe, em meio à dor.
O caso, que abalou tanto a Paraíba quanto Santa Catarina, vem sendo tratado pela polícia com prioridade. O pai está preso e aguarda audiência de custódia, podendo responder por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A Polícia Civil segue reunindo provas e analisando as circunstâncias do crime, que, segundo investigadores, foi premeditado.
A tragédia reacende o debate sobre violência doméstica e saúde mental, especialmente em situações de disputa de guarda e alienação parental. Para Aline, porém, nenhuma explicação será capaz de preencher o vazio deixado pela perda do filho. “Meu menino não merecia isso. Ele só queria amor”, concluiu, emocionada.



