Relembre: 15 amantes brigam e enterro de traficante carioca termina da pior forma

O enterro de Fernandinho Guarabu, realizado na sexta-feira, 29 de junho, na Ilha do Governador, parecia mais uma mistura de roteiro de novela com documentário sobre o submundo do crime carioca. Guarabu, um dos traficantes mais temidos e procurados do Rio de Janeiro, morreu, mas deixou para trás uma vida de luxo, poder e polêmicas dignas de uma série da Netflix.
Segundo as investigações, o criminoso vivia como um verdadeiro “rei do morro”. Relatórios da polícia indicam que ele desembolsava cerca de R$ 500 mil por mês em propina para agentes corruptos, garantindo a continuidade de seu império do tráfico sem ser perturbado. Enquanto muitos moradores lutavam para pagar as contas, Guarabu circulava em carros importados, cercado de seguranças, festas e mulheres.
E foi justamente esse último detalhe que transformou o enterro em um espetáculo caótico. O cemitério do Cacuia, na Ilha do Governador, virou palco de uma disputa acalorada entre pelo menos 15 mulheres — todas afirmando serem “a viúva oficial” do bandido. O clima de tensão cresceu rápido. O que começou com discussões e gritos terminou em empurrões, puxões de cabelo e até socos.
Testemunhas contaram que a confusão foi tanta que um dos presentes, indignado com o desrespeito à cerimônia, sacou uma arma e disparou para o alto, tentando dispersar a briga. Mas o tiro só aumentou o pânico. O barulho provocou um corre-corre generalizado e comerciantes próximos ao cemitério baixaram as portas, temendo o pior. Segundo o jornal Meia Hora, a cena parecia saída de um filme de ação — só que, infelizmente, era tudo real.
Mas o caos não começou ali. O velório de Guarabu, realizado no morro do Dendê, já havia dado o que falar. O evento misturou elementos de festa e religião de um jeito quase surreal. Entre uma batida de funk proibidão e outra, havia orações e mensagens evangélicas, como se o crime e a fé caminhassem lado a lado naquela despedida. O som dos paredões ecoava pelas vielas, enquanto líderes religiosos tentavam trazer uma palavra de “paz” para uma comunidade marcada por décadas de violência.
Muitos curiosos subiram o morro para assistir à despedida do homem que dominou o tráfico na região por anos. O clima era de exaltação: fogos, bandeiras e até faixas com o nome do traficante foram estendidos. Para alguns, Guarabu era uma espécie de “protetor” do morro — um mito que misturava medo e respeito. Para outros, era apenas mais um símbolo da corrupção que corrói o Rio de Janeiro há gerações.
A morte e o enterro de Fernandinho Guarabu servem como retrato de uma realidade que o Brasil ainda insiste em fingir que não vê. Entre o luxo e a violência, o crime e o culto, o poder e a pobreza, o Rio segue sendo palco de histórias que beiram o inacreditável. E, no fim, o homem que viveu como um “Sheik” acabou partindo como tantos outros: cercado de confusão, contradições e um legado de medo que dificilmente será esquecido.



