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Mulher que foi presa injustamente por 6 anos morre 2 meses após ser solta

O nome de Damaris Vitória Kremer da Rosa, de apenas 26 anos, voltou a aparecer nas manchetes — mas, desta vez, por um motivo que dói ainda mais. Depois de passar seis longos anos presa injustamente, ela morreu pouco mais de dois meses após ser absolvida. A causa: um câncer de colo do útero, descoberto enquanto ainda estava atrás das grades.

Damaris havia sido acusada de envolvimento no assassinato de Daniel Gomes Soveral, ocorrido em novembro de 2018, na pequena cidade de Salto do Jacuí, no interior do Rio Grande do Sul. De acordo com o processo, ela teria “atraído” a vítima, com quem mantinha um relacionamento, para uma emboscada que resultou em sua morte. O corpo de Daniel foi encontrado carbonizado. Em 2019, a jovem foi presa preventivamente, e dali em diante começou uma das histórias mais tristes e revoltantes que se tem notícia nos últimos anos.

Durante o julgamento, a defesa mostrou que Damaris não teve participação alguma no crime. Na verdade, ela havia sido vítima: contou ao namorado da época que havia sido estuprada por Daniel. O rapaz, tomado pela raiva, teria cometido o homicídio sozinho, sem que ela soubesse. Mesmo assim, Damaris acabou sendo mantida na prisão — um erro que custaria sua saúde e, mais tarde, sua vida.

Enquanto estava detida, começou a sentir dores fortes no abdômen e sangramentos vaginais. A defesa pediu sua liberação para exames médicos, mas o Ministério Público não aceitou, e a Justiça indeferiu o pedido. Segundo a advogada Rebeca Canabarro, foram meses de luta para garantir o mínimo de dignidade à sua cliente.

“Eu manifestei várias vezes que ela estava com câncer e precisava de atendimento hospitalar. Cheguei a pedir que tirassem a tornozeleira, porque os exames estavam sendo feitos com ela no corpo. Nada foi atendido”, relatou a advogada ao g1.

O descaso foi tamanho que Damaris chegou a ser transferida diversas vezes entre penitenciárias, passando por Sobradinho, Santa Maria, Rio Pardo e Lajeado. As constantes mudanças dificultaram o tratamento e agravaram o quadro clínico. Em março deste ano, a prisão foi convertida em domiciliar, quando o câncer já estava avançado.

Em agosto, enfim, veio o reconhecimento de sua inocência. O Conselho de Sentença a absolveu de todas as acusações por falta de provas. Mas já era tarde. O organismo fragilizado pela doença não resistiu. Exatos 74 dias depois da decisão judicial, Damaris faleceu.

A morte da jovem levanta uma série de questionamentos sobre o sistema prisional e a forma como o Estado trata pessoas sob custódia. Quantas outras “Damaris” não estão hoje em alguma cela, sem acesso a um exame básico, à espera de uma decisão que pode nunca chegar?

Mais do que um caso jurídico, essa é uma história humana — de uma mulher que perdeu tudo: liberdade, saúde e tempo. Uma vida que poderia ter sido poupada se houvesse empatia, sensibilidade e, sobretudo, justiça.

Agora, familiares e amigos tentam preservar sua memória e cobrar responsabilização. A dor que fica é a de saber que Damaris lutou até o fim para provar sua inocência — e conseguiu. Mas não teve tempo de desfrutar da liberdade pela qual esperou durante seis anos.
 

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