Tristeza: Jovem não resiste após comer sanduíche envenenado no MS

A cidade de Bataguassu, no interior de Mato Grosso do Sul, amanheceu em choque na última segunda-feira (27) após a confirmação de um crime que mais parece enredo de filme policial. Um jovem de 22 anos, conhecido apenas pelo apelido de Bahia, morreu no domingo (26) depois de ingerir um sanduíche de mortadela que havia sido propositalmente envenenado. O detalhe mais assustador da história: o lanche foi entregue por seu ex-padrasto.
De acordo com as investigações, o suspeito, um idoso de 62 anos, confessou ter colocado veneno no alimento. Segundo ele, a decisão foi tomada “num momento de medo e desespero”. A justificativa, apesar de difícil de compreender, parece ter origem em um histórico de ameaças e conflitos familiares que se arrastavam há meses.
Um passado conturbado
Bahia, segundo relatos da polícia, tinha uma trajetória marcada por problemas com a lei desde muito cedo. O primeiro registro data de 2018, quando ainda era menor de idade, acusado de furto. Desde então, o jovem acumulou passagens por diversos delitos, especialmente crimes contra o patrimônio.
O caso mais recente havia ocorrido apenas cinco dias antes da tragédia. No dia 21 de outubro, o rapaz foi apontado como autor do furto de aproximadamente 280 metros de fios de cobre da rede de iluminação pública da BR-267, nas proximidades do trevo de Bataguassu. O episódio causou prejuízo ao município e reforçou a imagem do jovem como um problema constante na comunidade.
O crime e a confissão
Segundo o depoimento do idoso, o jovem costumava aparecer em sua casa exigindo dinheiro e, em algumas ocasiões, o ameaçava com uma faca. Cansado das intimidações, ele teria decidido preparar o lanche como uma “forma de se proteger”. Em suas palavras, o veneno seria uma “última alternativa” diante do medo de ser morto.
A cena do crime foi descrita pelos investigadores como simples, mas carregada de tensão. O rapaz chegou, comeu o sanduíche e, pouco tempo depois, passou mal. Foi socorrido, mas não resistiu. O suspeito, que inicialmente tentou negar qualquer envolvimento, acabou cedendo e admitiu o ato após horas de interrogatório.
Investigação e consequências
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Bataguassu. O idoso permanece preso em flagrante e deve responder por homicídio qualificado por envenenamento, um dos tipos de crime mais severamente punidos pela legislação brasileira.
Apesar da confissão, a polícia ainda tenta esclarecer detalhes, como o tipo de substância usada e se houve premeditação. Testes toxicológicos foram solicitados para confirmar o agente químico que provocou a morte.
Repercussão e reflexão
O caso reacendeu o debate sobre a escalada da violência em pequenas cidades do interior, onde desavenças familiares e problemas ligados ao uso de drogas têm resultado em tragédias cada vez mais brutais. Em Bataguassu, moradores relataram surpresa e tristeza com o desfecho. “Todo mundo conhecia o Bahia, era um menino difícil, mas ninguém imaginava que acabaria assim”, comentou um vizinho, sob anonimato.
O episódio expõe, mais uma vez, a dura realidade de muitos lares brasileiros: famílias fragmentadas, medo constante e uma convivência que, quando atravessada pela violência, termina de forma irreversível.
Em meio às investigações, o sentimento predominante na cidade é de perplexidade — e a certeza de que nenhuma justificativa é capaz de apagar o peso de uma vida perdida dessa forma.



