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Mãe de policial morto em operação no RJ diz como recebeu a notícia e desabafo comove

O Rio de Janeiro amanheceu, mais uma vez, sob o peso da dor e da indignação. Nesta última quarta-feira, 29 de outubro, a cidade acompanhou o desabafo emocionado de Débora Velloso, mãe do policial civil Rodrigo Velloso, de 34 anos, morto durante a “Operação Contenção”, nos Complexos do Alemão e da Penha. A entrevista, publicada pelo jornal O Globo, revela a dimensão do sofrimento de uma mãe que perdeu o filho de forma tão trágica e precoce.

Rodrigo estava na corporação há apenas 40 dias, e sua inexperiência tornou a perda ainda mais dolorosa. Débora contou que soube da morte do filho pela televisão. “Meu coração apertou quando falaram que um policial morreu. Quando apareceu o nome dele entrei em desespero”, relatou. O choque e a incredulidade logo se transformaram em uma acusação direta. A mãe responsabilizou o governador Cláudio Castro (PL), afirmando que ele sabia que os agentes não tinham condições de enfrentar o poder de fogo do Comando Vermelho. “Aquele infeliz sabia que eles não tinham chance”, disse, com a voz tomada pela emoção.

O jovem policial foi atingido com um tiro na nuca durante a ação que, segundo especialistas, se tornou a mais letal da história do estado. De acordo com a Defensoria Pública, o número de mortos já ultrapassa 120. Entre eles, além de Rodrigo, estavam outros três agentes de segurança. A dimensão da tragédia abalou não só a família, mas toda a corporação e a sociedade carioca.

Débora também relembrou a última conversa com o filho antes de ele sair para o serviço. “Ele me disse que me amava e que iria voltar em breve. Eu disse que também o amava. Hoje, sinto como se meu chão tivesse desaparecido”, contou, a voz embargada pelo choro. Cada palavra da mãe transparece não apenas a dor da perda, mas a sensação de impotência diante de um sistema que, segundo ela, falhou em proteger os próprios agentes.

A repercussão da entrevista reacendeu debates sobre a condução das operações policiais no Rio de Janeiro. Enquanto a mãe de Rodrigo Velloso clamava por responsabilidade e apontava falhas, o governador Cláudio Castro classificou a operação como um “sucesso” e afirmou que as únicas vítimas foram os quatro policiais mortos. Essa divergência de narrativas evidencia a tensão entre poder público, corporação e sociedade, que acompanha de perto cada tragédia urbana.

O enterro de Rodrigo, realizado na tarde de quarta-feira, reuniu amigos, familiares e colegas de trabalho, todos profundamente abalados. As ruas, tomadas pelo silêncio respeitoso, refletiam a comoção coletiva de uma cidade que ainda busca entender o preço da violência e da ação policial.

Em meio à perda e à indignação, o que permanece é a memória de um jovem que começava a construir sua carreira, a esperança de mudanças e a força de uma mãe que, mesmo destruída, não deixa de buscar justiça. O Rio de Janeiro segue em luto, e a história de Rodrigo Velloso se junta a tantas outras que questionam os limites da segurança pública e o valor da vida em meio à guerra diária das comunidades.

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