Esquerdogata: prefeitura abre processo disciplinar para analisar conduta e demissão

A Prefeitura de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, abriu um processo administrativo disciplinar para investigar o histórico funcional de Aline Bardy Dutra, conhecida nas redes sociais como “Esquerdogata”, após sua prisão por injúria racial e desacato a policiais militares. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (29/10) pelo prefeito Ricardo Silva (PSD) durante coletiva de imprensa. O caso gerou ampla repercussão política e social, reacendendo o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilidade de servidores públicos em cargos de educação.
De acordo com o prefeito, o procedimento visa apurar faltas funcionais e condutas consideradas incompatíveis com o serviço público, além de revisar o histórico de licenças médicas e ausências injustificadas registradas pela servidora ao longo dos últimos meses. Segundo Ricardo Silva, a demissão da professora “se tornou inevitável”. Ele afirmou que as atitudes da comunicadora configuram “violação dos princípios da moralidade administrativa, do decoro e da dignidade da função pública”, conforme previsto na legislação.
Aline Bardy Dutra é professora da rede municipal de ensino, mas atualmente está licenciada do cargo. Paralelamente, ela atua como comunicadora e militante política, conhecida nas redes por seus comentários críticos a autoridades e por sua postura progressista. Sua prisão ocorreu após um episódio em que ela teria desacatado policiais militares durante uma abordagem, proferindo ofensas de cunho étnico e racial, conforme o boletim de ocorrência. A influenciadora nega ter cometido injúria racial, alegando que houve abuso de autoridade por parte dos agentes.
Durante a coletiva, o prefeito afirmou que a prefeitura recebeu um pedido formal de exoneração de Aline, encaminhado pelo presidente da Câmara Municipal, Isaac Antunes (PL). No documento, Antunes sustenta que a conduta da professora “envergonha o funcionalismo público” e fere valores éticos que deveriam ser exemplares, principalmente por ela exercer função educacional. Segundo ele, é “inadmissível” que uma servidora da educação mantenha comportamento que “atente contra a ordem, a moral e o respeito à lei”.
Ricardo Silva também revelou que Aline apresentou “inúmeros atestados médicos” e acumulou mais de 83 faltas injustificadas, sem que houvesse uma apuração rigorosa até o momento. “Vamos investigar como essa senhora continuou no serviço público sem ser punida. O caso precisa ser esclarecido e as medidas cabíveis serão tomadas”, declarou o prefeito, reforçando o compromisso com a transparência administrativa e o respeito à legalidade.
A influenciadora, que se autodenomina “Esquerdogata”, ganhou notoriedade por publicar vídeos e comentários políticos nas redes sociais, onde mistura crítica social, ativismo e humor. Após sua prisão, diversas figuras políticas e movimentos de esquerda manifestaram apoio, alegando que a detenção teria motivação política. Já grupos conservadores e representantes da segurança pública defenderam a ação policial, sustentando que a professora ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao cometer injúria racial.
O caso segue em investigação pela Polícia Civil e também pela Corregedoria da Prefeitura, que analisará o processo disciplinar e a eventual demissão de Aline “a bem do serviço público”. Enquanto isso, a prisão e o pedido de exoneração da “Esquerdogata” continuam dividindo opiniões e provocando intenso debate nas redes sociais e na esfera política.



